A defesa de Cilia Flores voltou a pedir à Justiça dos Estados Unidos liberdade sob fiança ou prisão domiciliar. O requerimento foi apresentado na quarta-feira (30), após os advogados relatarem piora no estado de saúde da primeira-dama venezuelana desde sua transferência para o Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, em Nova York.
Documentos judiciais informam que Flores, de 69 anos, teve uma crise de taquicardia ventricular e passou 30 minutos com dor intensa no peito sem receber atendimento clínico adequado. A defesa também afirma que ela perdeu muito peso e dois molares durante a detenção.
Antes da prisão, a condição cardíaca de Flores era considerada estável com o uso de uma medicação mensal. Os advogados associam o agravamento ao período posterior à operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026, quando, segundo a defesa, Cilia Flores e o presidente Nicolás Maduro foram sequestrados em Caracas.
Condições na unidade prisional
Ao chegar à unidade em Nova York, Flores tinha ferimentos na testa e outras lesões corporais. Ela também teria permanecido por três meses em isolamento severo.
A equipe médica do centro de detenção sugeriu um cateterismo. A defesa, porém, sustenta que o local não oferece estrutura adequada para a recuperação depois de um procedimento cardíaco invasivo.
A Promotoria dos Estados Unidos se manifestou contra o pedido, alegando risco extremo de fuga. Os advogados respondem que Flores é uma mulher idosa, tem problemas graves de saúde e não dispõe de recursos financeiros para custear a liberdade, compromisso que seria firmado sob pena de perjúrio. A audiência para analisar a solicitação está marcada para 8 de outubro.
Manifesto pede libertação
A situação de Cilia Flores e Nicolás Maduro também levou à criação de um manifesto internacional articulado pelo músico britânico Roger Waters, ex-integrante do Pink Floyd. O documento reúne assinaturas de intelectuais, juristas, jornalistas e lideranças sociais, entre elas o jornalista francês Ignacio Ramonet e João Pedro Stedile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O manifesto classifica a operação militar na Venezuela como um ato ilegal de força e um sequestro político. O documento cita o artigo 2.4 da Carta das Nações Unidas e afirma que as acusações apresentadas nos tribunais dos Estados Unidos não têm fundamentação. Também descreve o processo contra Flores como violência de gênero por razões políticas.
Entre as reivindicações estão a libertação imediata de Cilia Flores e Nicolás Maduro, o encerramento das ações judiciais relacionadas à captura extraterritorial, o fim das sanções coercitivas unilaterais contra a Venezuela e o respeito à soberania dos povos da América Latina.







