TENNESSEE — Uma tentativa de execução por injeção letal terminou sem conclusão nesta quarta-feira (30), depois que Christa Gail Pike continuou respirando mesmo após receber duas doses de pentobarbital. A condenada foi levada a um hospital, e não foram divulgadas informações posteriores sobre seu estado de saúde.
O governador do Tennessee, Bill Lee, determinou uma investigação independente e suspendeu as execuções no estado até o fim do ano. Pike, de 50 anos, seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.
Procedimento interrompido e retomado
A execução estava prevista para as 10h, mas uma série de decisões judiciais adiou o procedimento. Uma hora antes do horário marcado, um tribunal de apelações determinou a interrupção. Mais tarde, a Suprema Corte dos EUA derrubou essa decisão, e a execução ocorreu à noite.
Depois da aplicação do medicamento, testemunhas disseram que Pike ainda respirava e chegou a roncar em alguns momentos. Às 20h05, quando as persianas da sala foram fechadas pela segunda vez, a respiração continuava.
O jornalista John North, da WBIR, estava entre as testemunhas. “A respiração dela não estava bem. Estava meio forçada, ofegante”, afirmou.
Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, disse que não há precedente conhecido para o episódio. De acordo com ela, outras sete pessoas sobreviveram a execuções malsucedidas nos Estados Unidos, mas, nesses casos, as equipes não conseguiram acessar uma veia para administrar os medicamentos.
Questionamentos sobre o medicamento
O pentobarbital é um barbitúrico que reduz a atividade do sistema nervoso central. Em doses elevadas, pode causar sono e anestesia. Nas quantidades usadas em execuções e eutanásia, o efeito esperado é interromper funções essenciais, como respiração e circulação.
A defesa de Pike afirmou que as dificuldades começaram antes da aplicação. Os advogados citaram acesso venoso difícil, veias rompidas, possível degradação do pentobarbital e falta de atendimento médico de emergência. Também disseram que o procedimento seguiu um protocolo mantido em sigilo pelo estado.
Durante a noite, a defesa pediu à Justiça a suspensão da execução. Os advogados alegaram que Pike estava sendo submetida a uma “agonia desnecessária” e que seus direitos contra punições cruéis e incomuns estavam sendo violados.
Condenação e investigação
Pike foi responsabilizada pela morte de Colleen Slemmer, de 19 anos, em Knoxville, em 1995. Ela tinha 18 anos na época. O então namorado de Pike também foi condenado pelo espancamento e esfaqueamento da jovem, colega dos dois em uma instituição de treinamento profissional.
O caso ganhou repercussão nacional por elementos como um pentagrama gravado no corpo da vítima. O episódio foi associado ao chamado “pânico satânico”, temor sobre cultos satânicos que marcou os Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990.
Em maio, a execução de Tony Carruthers foi cancelada depois de mais de uma hora de tentativas para encontrar uma veia. A investigação independente deverá analisar a aplicação do pentobarbital, as condições do medicamento e o protocolo adotado pelo Tennessee. A única outra execução prevista para o período também foi suspensa.






