Mais de 20 milhões de brasileiros vivem com doença renal crônica (DRC), o equivalente a cerca de uma em cada dez pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia. Em 2025, o Brasil realizou 6.697 transplantes de rim, conforme o Sistema Nacional de Transplantes, do Ministério da Saúde. O número correspondeu a cerca de 21,6% do total de transplantes de órgãos feitos no ano.
A doença pode avançar sem sintomas por anos. Entre os pacientes em estágios mais avançados, mais de 170 mil fazem terapia renal substitutiva, de acordo com o Censo Brasileiro de Diálise 2024. Especialistas da Rede Américas explicam dúvidas comuns sobre prevenção, diálise e transplante.
Sintomas não são a única forma de identificar a doença
É mito que a ausência de sintomas indique rins saudáveis. A DRC pode ser silenciosa, principalmente no início. Quando aparecem sinais como inchaço, cansaço, alterações na urina ou náuseas, a função renal pode já estar comprometida.
O nefrologista Pedro Mendes Filho, do Hospital Brasília, no Distrito Federal, afirma que pessoas com fatores de risco, como obesidade, hipertensão e diabetes, devem manter acompanhamento médico e fazer os exames indicados.
Também é mito que toda pessoa em diálise precise entrar na fila de transplante. Diálise e transplante são tratamentos diferentes, e a indicação depende da avaliação individual. As condições clínicas, as comorbidades, a fragilidade e os riscos e benefícios do procedimento são considerados pela equipe médica.
A doença renal crônica não é tratada apenas com diálise ou transplante. O acompanhamento varia conforme a causa e o grau de comprometimento dos rins e pode incluir controle de doenças associadas, mudanças de hábitos e medicamentos. Nos estágios mais avançados, podem ser necessárias terapias de substituição da função renal.
Doação em vida e prevenção
É verdade que uma pessoa saudável pode viver com apenas um rim. Por isso, em situações específicas e dentro de critérios médicos e legais, é possível doar um rim em vida. Segundo o cirurgião Lucas Nacif, do Hospital Nove de Julho, Leforte e Samaritano Higienópolis, a segurança do doador é prioridade e a autorização depende de uma avaliação rigorosa.
Também é possível reduzir o risco de desenvolver DRC e retardar sua progressão. Nem todas as causas podem ser evitadas, mas o controle de fatores de risco, como hipertensão e diabetes, pode ajudar.
A identificação precoce pode ser feita com exames como a dosagem de creatinina no sangue, usada para estimar a taxa de filtração glomerular (TFG), e a avaliação de albumina na urina. A frequência do acompanhamento deve ser definida pelo médico, especialmente para pessoas com diabetes, hipertensão, histórico familiar de doença renal ou idade avançada.
“Falar de transplante também é falar de prevenção”, explica Pedro Mendes Filho. Para ele, identificar alterações cedo e controlar os fatores de risco aumenta as chances de preservar a função dos rins e evitar a evolução para estágios avançados.







