Um estudo clínico publicado na revista Nature Medicine avaliou se o teclistamab pode agir contra o mieloma múltiplo latente de alto risco antes que a doença avance. Na análise, o medicamento levou ao desaparecimento dos marcadores considerados para resposta completa em 77,8% dos pacientes tratados. No grupo que recebeu lenalidomida e dexametasona, nenhum participante alcançou esse resultado.
A pesquisa incluiu 59 pacientes que haviam completado pelo menos um ciclo de tratamento. Desse total, 45 receberam teclistamab e 14 foram tratados com a combinação conhecida como Rd. O acompanhamento mediano foi de 24,5 meses. Nesse período, 92% dos pacientes do grupo do teclistamab permaneciam sem progressão da doença, contra 49% entre os que receberam Rd.
O que caracteriza a condição
O mieloma múltiplo começa nas células plasmáticas, produzidas na medula óssea e responsáveis pela fabricação de anticorpos. Na doença, parte dessas células se torna anormal, se multiplica e produz proteínas do mieloma. Essas mudanças podem prejudicar a medula e afetar outros órgãos.
O mieloma múltiplo latente de alto risco, chamado de HR-SMM, apresenta alterações associadas à doença, mas ainda não corresponde ao estágio em que aparecem os problemas característicos do câncer desenvolvido. Em fases iniciais, pode não haver sintomas claros. Com a progressão, podem ocorrer enfraquecimento dos ossos, danos aos rins, anemia, aumento do cálcio no sangue e maior vulnerabilidade a infecções.
Historicamente, pacientes com HR-SMM eram acompanhados sem tratamento imediato, em uma estratégia conhecida como observação ou espera vigilante. A proposta do estudo foi verificar se uma intervenção mais precoce poderia produzir respostas mais profundas.
Como o medicamento atua
O teclistamab pertence à classe dos anticorpos biespecíficos. Ele reconhece dois alvos ao mesmo tempo e aproxima as células T, que fazem parte do sistema de defesa, das proteínas presentes nas células do mieloma. Com essa ligação, as células T podem identificar as células doentes e participar da resposta imunológica contra elas.
O medicamento já é usado em pacientes cujo mieloma múltiplo voltou após tratamentos anteriores ou se tornou resistente às terapias. Houve aprovação nos Estados Unidos e na União Europeia em 2022 para esses casos. No Brasil, a Anvisa tem registro do teclistamab para determinados casos de mieloma múltiplo recidivado ou refratário.
Após uma etapa inicial de segurança com seis pacientes, o estudo chegou a 64 participantes. Os pesquisadores afirmaram que as taxas e a duração das respostas, além do tempo até a progressão, foram significativamente melhores com o teclistamab. Eles destacaram, porém, que novos estudos ainda são necessários.







