SÃO PAULO — A despedida de Amelinha Teles será realizada nesta quarta-feira (16), na Reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista. A jornalista, escritora e militante feminista morreu nesta terça-feira, aos 81 anos. A causa da morte não foi informada.
Em uma homenagem publicada nas redes sociais na noite desta terça-feira (15), a ex-presidenta Dilma Rousseff destacou a participação de Amelinha na resistência à ditadura militar, na defesa dos direitos das mulheres e na preservação da memória das vítimas do regime.
“Amelinha, porém, sobreviveu aos seus algozes e jamais desistiu de lutar”, escreveu Dilma. A ex-presidenta também afirmou que a militante teve papel fundamental no movimento feminista e na mobilização que resultou em conquistas para as mulheres na Constituição de 1988.
Prisão e atuação política
Maria Amélia de Almeida Teles foi detida em dezembro de 1972 e levada à Operação Bandeirantes (Oban), em São Paulo. Ela relatou ter sofrido torturas físicas e violência sexual. Seus filhos, então com 4 e 5 anos, foram sequestrados por agentes da repressão e levados ao local onde os pais estavam presos.
Nascida em Contagem (MG), em 1944, Amelinha começou a militância política ainda jovem. Durante a ditadura, participou do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e da produção de um jornal clandestino que denunciava violações cometidas pelo regime.
Depois de sair da prisão, integrou o Movimento Feminino pela Anistia e o jornal Brasil Mulher. Também ajudou a fundar a União de Mulheres de São Paulo e participou da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
Memória, justiça e direitos
Ao lado de familiares, Amelinha moveu a ação que levou Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi de São Paulo, a ser reconhecido pela Justiça brasileira como torturador. Ela também participou de esforços para localizar, identificar e responsabilizar autores de crimes cometidos durante a ditadura.
A militante atuou ainda pela igualdade de direitos entre mulheres e homens e no enfrentamento à violência contra as mulheres. Em 2023, recebeu da Unifesp o título de doutora honoris causa.
Dilma, que também integrou a resistência à ditadura, foi presa por agentes do regime e sofreu torturas. Na homenagem, afirmou que Amelinha deixou um exemplo de coragem, coerência e dignidade, além de permanecer presente na memória, nas lutas e nas conquistas das mulheres e da democracia brasileira.








