CARACAS — Movimentos populares e organizações políticas da Venezuela fizeram uma manifestação na manhã desta quinta-feira (3), na Praça Bolívar, contra a retomada de relações diplomáticas, consulares ou comerciais com Israel. Durante o ato, os participantes leram um documento assinado por diferentes frentes revolucionárias.
A mobilização ocorreu depois que a Chancelaria venezuelana informou, no dia 11 de agosto, ter iniciado conversas para restabelecer serviços consulares israelenses no país. As organizações afirmaram que a aproximação representaria uma concessão diante das violações contra o povo palestino e fundamentaram a petição em artigos da Constituição venezuelana.
A Venezuela rompeu relações com Israel em 2009, durante o governo de Hugo Chávez, em solidariedade aos palestinos após ataques militares na Faixa de Gaza. Para Eliezer Arrieche, da Plataforma Internacional de Solidariedade com a Palestina, reabrir os serviços consulares seria um erro político e legitimaria Israel como Estado.
Arrieche também afirmou que a decisão da diplomacia venezuelana ocorre sob pressão política. Ele associou esse cenário ao bombardeio realizado pelos Estados Unidos no dia 3 de janeiro, que, segundo o ativista, terminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores, primeira combatente e deputada.
A presença de público foi menor que a registrada no protesto de 24 de julho. Na ocasião, a mobilização havia sido impulsionada pela chegada de uma missão técnica israelense com 30 especialistas para atuar na reconstrução do país após o duplo terremoto de 24 de junho. O desastre deixou 6 mil mortos e mais de 23 mil desabrigados.
Defesa da causa palestina
Laura Peña Betancourt, uma das organizadoras, disse que os coletivos mantêm atividades permanentes em bairros, escolas e comunidades. Entre os grupos presentes estavam a Frente Anti-imperialista Popular, o Movimento de Solidariedade Venezuelano com a Palestina, a Plataforma Internacional de Solidariedade com a Palestina, representantes do Partido Comunista da Venezuela Dignidade, comitês organizacionais e movimentos de base.
Mauz Mussa, refugiado palestino que vive há 13 anos na Venezuela, afirmou que a mobilização não se limita à solidariedade ao povo palestino. Para ele, a defesa envolve a soberania e os recursos desses povos. Mussa também relacionou o sionismo a formas de opressão vividas em diferentes países.
Divergências durante o ato
A manifestação teve discussões entre apoiadores do governo de Delcy Rodríguez e críticos à gestão da presidente em exercício. O debate começou após Rafael Uzcátegui, dirigente do Partido Pátria Para Todos, criticar o acordo petroleiro firmado entre Estados Unidos e Venezuela na última semana.
Hindu Anderi, coordenadora da Plataforma Internacional de Solidariedade com a Causa Palestina e defensora da gestão nacional, pediu que o ato não fosse usado contra o governo central. “Não podem colocar todos nós no mesmo saco contra o governo nacional”, declarou.
Zuleika Matamoros, do Movimento Primeiro de Maio, rebateu Anderi. Ela afirmou que o petróleo “roubado” pelos Estados Unidos nos acordos com o governo venezuelano abastece o genocídio em Gaza.
Apesar das divergências sobre a condução política nacional, os participantes disseram que continuarão mobilizados contra a interferência externa e a normalização das relações com Israel. Também prometeram realizar novas marchas em defesa do povo palestino e contra Israel e os Estados Unidos.







