Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Brasileira deixa o Havaí após abordagem do ICE e relata impacto da deportação na família

Alice vivia havia quase 11 anos nos EUA quando agentes do ICE exigiram que ela se apresentasse com a filha e o companheiro.

Brasileira deixa o Havaí após abordagem do ICE e relata impacto da deportação na família

Uma brasileira que vivia no Havaí deixou os Estados Unidos depois que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) foram até sua casa e exigiram que ela se apresentasse com a bagagem pronta, a filha e o companheiro. Alice comprou a passagem de volta ao Brasil uma semana após o primeiro contato, em junho de 2025.

Alice havia chegado aos Estados Unidos pelo programa Ciência sem Fronteiras e, depois de passar por Michigan, retornou ao país como turista antes de se fixar no Havaí. Quando decidiu voltar, acumulava quase 11 anos no arquipélago. Nesse período, abriu uma empresa de faxina, financiou um carro e pagou impostos regularmente. A filha, hoje com oito anos, nasceu nos Estados Unidos.

A brasileira buscava obter o green card por meio de um casamento com um amigo. Uma denúncia feita em 2022 levou agentes do serviço de cidadania e imigração a cancelar o processo de regularização. Alice não foi presa nem recebeu uma carta de deportação. Seu advogado considerava baixo o risco de expulsão porque ela vivia havia mais de dez anos no país, tinha uma filha e não possuía passagem criminal.

A situação mudou depois da volta de Donald Trump ao poder, em janeiro do ano passado. O advogado contratado por Alice por US$ 1.500 não encontrou um processo aberto em nome dela, mas afirmou que as regras já não eram aplicadas da mesma forma. Ele também alertou que pessoas com 20 e 30 anos de permanência nos Estados Unidos estavam sendo deportadas sem direito de defesa.

Com medo, Alice deixou a casa onde morava e se escondeu na residência de uma amiga naturalizada estadunidense. Segundo ela, agentes rondavam endereços de pessoas que poderiam oferecer abrigo. A brasileira chegou a considerar morar no carro. Como a filha não tinha visto para entrar no Brasil, precisou resolver a documentação antes da viagem.

A mudança agravou as dificuldades da família. A menina chegou ao Brasil sem falar português e, de acordo com Alice, chorou muito. A mãe entrou em depressão, e as duas seguem tomando remédios. O pai da criança também se mudou para o Brasil meses depois. Hoje, Alice vive em Fortaleza e tenta reorganizar a vida enquanto a filha aprende o idioma.

Aumento das prisões nos Estados Unidos

O Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pela política de imigração do governo Trump, informou que o ICE prendeu cerca de 51 mil pessoas no último mês de agosto. Foi o maior registro de prisões em um único mês desde o endurecimento da política de deportação promovida pelo governo.

O secretário do DHS, Markwayne Mullin, afirmou que o resultado representa o cumprimento das promessas feitas por Trump e defendeu a detenção e a deportação de imigrantes em situação irregular. “Se você está no país ilegalmente, VÁ EMBORA AGORA”, declarou.

Em junho, foram registradas 43 mil detenções. Em julho, o número chegou a 49 mil. O monitoramento da organização Human Rights First apontou ao menos 329 voos de remoção em julho, um recorde.

A parcela de pessoas presas que já tinham condenação anterior por crime violento caiu para menos de 4%, conforme análise sobre os registros de detenções. O governo passou a tratar a situação migratória irregular, por si só, como alvo central das operações.

Para Rafael Ioris, professor de História Latino-Americana na Universidade de Denver, a principal mudança está na escala das ações. Durante o primeiro mandato de Trump, a média mensal de prisões não chegava a 10 mil. Agora, segundo ele, é cinco vezes maior. Ioris também avalia que o governo está mais organizado, financiado e ostensivo, com maior estrutura para o trabalho do ICE.

O Escritório de Gestão de Pessoal registrou o aumento do quadro do órgão de 21 mil para 29 mil funcionários entre o início do segundo mandato de Trump e o último mês de julho. Além disso, o programa 287(g), que permite a agentes de polícias estaduais e municipais prender imigrantes, já responde por cerca de 14% das detenções.

Estrutura e efeitos econômicos

A saída de Kristi Noem do DHS, em março, abriu espaço para a chegada do senador republicano Markwayne Mullin. O governo estabeleceu a meta de ao menos duas mil prisões por dia e anunciou a abertura de 100 mil novas vagas em unidades prisionais estadunidenses.

Em agosto, o ICE fechou, sem licitação, um contrato de US$ 16,7 milhões com a empresa Compliant Technologies, do Kentucky, para a compra de luvas capazes de aplicar choques elétricos. Cada par deve custar cerca de US$ 2,5 mil, com entrega prevista para março de 2027. Senadores democratas e entidades de direitos civis pediram o cancelamento da compra.

Apesar do endurecimento das operações, uma pesquisa do instituto Gallup mostrou que 73% da população dos Estados Unidos consideram a imigração benéfica ao país. Uma projeção da Universidade da Pensilvânia apontou que a deportação anual de 10% dos imigrantes sem documento até 2028 poderia elevar o déficit federal em US$ 350 bilhões e reduzir o Produto Interno Bruto em 1%.

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos estão marcadas para o dia 3 de novembro. Para Ioris, a imigração pode voltar ao centro do debate caso o aumento das prisões ou episódios violentos ganhem destaque.

Alice diz que só agora consegue falar sobre o que viveu. A filha continua aprendendo português, enquanto a família tenta reconstruir a rotina no Brasil.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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