Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
Viver bem, todos os dias
Brasil

Delação de Daniel Vorcaro enfrenta rejeições e novas suspeitas

As propostas do banqueiro foram recusadas por falta de informações inéditas e podem ser afetadas por mensagens apreendidas pela Polícia Federal.

Delação de Daniel Vorcaro enfrenta rejeições e novas suspeitas

A colaboração premiada de Daniel Vorcaro ainda não foi firmada porque as propostas apresentadas à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República foram consideradas insuficientes. As autoridades avaliaram que o banqueiro não entregou informações inéditas, apresentou relatos seletivos ou contradisse elementos já reunidos nas investigações sobre o Banco Master.

A proposta mais recente inclui acusações contra Antônio Rueda e ACM Neto, dirigentes do União Brasil. Vorcaro afirmou que os dois teriam atuado para levar recursos de institutos de previdência estaduais ao Master, com previsão de comissão sobre os investimentos. Rueda negou irregularidades, e ACM Neto classificou as informações como “insinuações absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”.

As propostas recusadas

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes da deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal. Na mesma data, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Depois de cumprir 10 dias de prisão, o banqueiro passou a usar tornozeleira eletrônica.

Ele voltou a ser detido em 4 de março de 2026, por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. Após essa prisão, a defesa procurou a Polícia Federal para negociar um acordo.

A primeira proposta foi rejeitada em 21 de maio. A avaliação foi de que Vorcaro não havia apresentado elementos novos além dos obtidos na Operação Compliance Zero. Ele pretendia devolver R$ 60 bilhões aos cofres públicos, mas os policiais identificaram um relato seletivo. Entre os pontos ausentes estava a relação do banqueiro com Flávio Bolsonaro.

A segunda proposta foi encaminhada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República em 1° de junho. O documento ampliava o escopo das declarações e incluía informações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, além de relatos sobre pagamentos a Ciro Nogueira. Um relatório da Polícia Federal apontou repasses mensais de cerca de R$ 300 mil ao senador, que totalizariam pelo menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025.

A Polícia Federal recusou essa versão em 10 de junho, e a Procuradoria-Geral da República fez o mesmo em 15 de junho. As autoridades entenderam que não havia informações inéditas suficientes, que Vorcaro havia contradito dados da perícia e que não existia compromisso formal para devolver os R$ 60 milhões mencionados na proposta.

A nova versão

Na terceira proposta, Vorcaro citou articulações de Rueda e ACM Neto relacionadas a fundos de previdência do Rio de Janeiro, do Amapá, do Amazonas e da Cedae. Segundo o documento, os políticos receberiam 10% dos investimentos captados. O banqueiro atribuiu às articulações a captação de R$ 2 bilhões e não esclareceu se as comissões teriam sido pagas.

A proposta também menciona uma operação envolvendo o Banco de Brasília. O Master teria aportado R$ 750 milhões no BRB, enquanto o banco teria comprado R$ 6 bilhões em carteiras do Master. Rueda e Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, teriam exigido 10% de comissão, segundo o relato.

Outro ponto mantido na versão mais recente são as doações de R$ 5 milhões para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. Vorcaro afirmou que os repasses, feitos por Fabiano Zettel, estariam ligados à manutenção do Credcesta em São Paulo. Gilberto Kassab teria participado da negociação. Tarcísio chamou a acusação de propina de “ridícula”, enquanto Kassab negou envolvimento.

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal podem dificultar o avanço da proposta. Em depoimento à corporação em agosto, Vorcaro afirmou que não tinha influência no Banco Central nem havia recebido informações privilegiadas. Conversas encontradas pelos investigadores, porém, indicariam o contrário.

Como o acordo pode avançar

A colaboração começa com negociações sigilosas entre o investigado, sua defesa e a Polícia Federal, o Ministério Público ou a Procuradoria-Geral da República. Depois de firmado, o acordo precisa ser homologado pelo ministro André Mendonça, que verifica o cumprimento dos requisitos formais, a voluntariedade da colaboração e a adequação dos benefícios.

O colaborador pode negociar o não oferecimento de denúncia, o perdão judicial, a redução da pena em até dois terços ou a substituição da prisão por penas restritivas de direitos. Para os investigadores, porém, Vorcaro ainda precisa apresentar fatos que não tenham sido descobertos anteriormente. Até agora, as informações vazadas são avaliadas como insuficientes para comprovar as acusações e têm impacto principalmente no campo político e na opinião pública.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5