BRASÍLIA — Mais de 70 mil pessoas acompanharam o desfile cívico-militar de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, informou a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A soberania nacional foi o tema principal da cerimônia, realizada em um ano eleitoral marcado por discussões sobre a autonomia econômica e política do país.
O evento reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Janja da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e os presidentes da Câmara, Hugo Motta, do Senado, Davi Alcolumbre, e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. A programação começou por volta das 9h e durou cerca de duas horas.
A cerimônia foi dividida em três eixos: soberania; proteção de meninas e mulheres; e a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Participaram tropas das Forças Armadas, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, além de veículos, cavalos, estudantes, atletas e outras representações civis. A Esquadrilha da Fumaça encerrou o desfile.
Movimentos sociais e agricultura familiar
Pela primeira vez, agricultores participaram da cerimônia em uma ala formada por integrantes de movimentos do campo. Seis caminhonetes com alimentos fizeram parte da apresentação e formaram a palavra Brasil.
Denilva Araújo, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), disse que a participação representou o reconhecimento da trajetória de famílias camponesas. Ela também relacionou a produção de alimentos à autonomia do país. Tatiana Brandão, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou que a presença dos movimentos serviu para reforçar sua participação no espaço público.
Wallace Benites, do Movimento dos Atingidos por Mineração (MAM), associou o debate sobre soberania às disputas por recursos naturais, indústria e interesses estrangeiros. “Criar uma identidade própria e soberana é cada vez mais importante diante dos acontecimentos geopolíticos que estamos tendo”, afirmou.
Pautas trabalhistas e símbolos nacionais
Manifestantes também defenderam o fim da escala 6×1. Olanise Ferreira, engenheira civil de 63 anos e moradora da Asa Norte, disse que a mudança permitiria mais tempo de descanso aos trabalhadores. A pauta dividiu espaço com manifestações de apoio ao governo Lula.
O verde e amarelo apareceu entre os símbolos usados pelo público. Para Tatiana Brandão, esses elementos também devem representar setores progressistas e movimentos que defendem políticas públicas e um país soberano.
Gritos de apoio a Lula foram ouvidos durante o desfile. A professora aposentada Elizabeth Ramos relacionou o debate sobre soberania à escolha do próximo presidente e declarou apoio à candidatura de Lula.
Acesso às arquibancadas
Apesar da grande presença de público, parte dos espectadores não conseguiu entrar nas arquibancadas. Sandro Alves de Sousa, morador do Recanto das Emas, chegou com a esposa e os dois filhos, mas foi informado de que as pulseiras de acesso haviam terminado. “A gente não conseguiu assistir nada, só vimos os aviões passando aqui em cima”, relatou.
O segundo eixo da cerimônia abordou a proteção de meninas e mulheres e o enfrentamento da violência de gênero. O terceiro destacou a Copa do Mundo Feminina de 2027, com atletas, estudantes e ex-jogadoras que participaram da história da seleção brasileira.







