Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Diretores da PF deixam cargos à disposição em reação a afastamento

Roberto Uchôa afirma que investigações devem continuar, mas admite possíveis atrasos administrativos durante a transição na direção da instituição.

Onze diretores da Polícia Federal colocaram os cargos à disposição na tarde desta terça (8), em reação ao afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues. A medida ocorreu durante uma crise no Supremo Tribunal Federal, depois que o ministro André Mendonça pediu a saída de Rodrigues, alegando ter sido alvo de monitoramento ilegal.

Para o ex-policial federal Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a manifestação não deve paralisar as investigações. Segundo ele, os inquéritos continuam sob responsabilidade de delegados e equipes policiais e não dependem de autorização específica da diretoria ou da direção-geral.

Uchôa avalia, porém, que a transição pode causar dificuldades administrativas. Entre os possíveis efeitos, cita a falta repentina de recursos ou de estrutura, problemas burocráticos e atrasos na liberação de verba necessária para uma operação.

Disputa por influência

O ex-policial afirma que a PF tem quadros preparados para assumir funções de direção e preservar a autonomia das investigações, independentemente de quem ocupe os cargos. Na avaliação dele, a instituição é formada por pessoas e abriga grupos que disputam controle, posições e apoio político.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, Uchôa recorda uma tentativa de interferência na PF. O então ministro Sérgio Moro denunciou o caso publicamente e rompeu com o bolsonarismo naquele momento. Mais tarde, a instituição teve papel central na investigação da tentativa de golpe atribuída a Bolsonaro e a aliados no começo de 2022.

Investimentos e autonomia

Uchôa relaciona a autonomia atual da Polícia Federal a uma construção iniciada no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva e mantida nos governos do Partido dos Trabalhadores. Ele menciona contratação de efetivo, investimentos em tecnologia e melhorias salariais como fatores que ampliaram a estrutura da corporação e sua atuação em investigações de corrupção.

“A Polícia Federal é uma instituição de Estado”, afirmou Uchôa. Para ele, a defesa da autonomia e da independência das apurações deve continuar mesmo diante das mudanças na direção da PF.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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