Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Fé não pode substituir o debate político, diz Élio Gasda

Professor defende que a democracia depende da igualdade entre crenças e da separação entre religião e governo.

Fé não pode substituir o debate político, diz Élio Gasda

A transformação da fé em ferramenta eleitoral ameaça o debate democrático, na avaliação de Élio Gasda, membro da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB) e professor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Para ele, discursos que apresentam políticos como escolhidos por Deus podem explorar a crença da população e deslocar a atenção de propostas para educação, emprego, saúde, meio ambiente e defesa dos povos indígenas.

Gasda afirma que o voto passa a ser orientado pela religião quando a pergunta sobre a crença de um candidato se torna mais importante do que seu projeto de governo. Nesse cenário, o adversário deixa de ser visto como alguém com outra posição política e passa a ser associado ao mal. O autor relaciona esse processo à perda do diálogo e ao aumento da intolerância.

Os pilares da democracia

Na análise, a democracia se apoia em três princípios: tolerância com laicidade do Estado; separação entre Executivo, Legislativo e Judiciário; e justiça social. O Estado laico, segundo Gasda, deve tratar de maneira igualitária as religiões, o ateísmo e o agnosticismo.

A justiça social também faria parte da responsabilidade democrática. O autor defende que os governos reduzam a distância entre ricos e pobres e enfrentem as discriminações. Ele descreve o Brasil como uma democracia ainda incompleta, marcada por patrimonialismo, racismo, machismo, violências e desigualdade social.

A Constituição Brasileira estabelece que o poder tem origem no povo, exercido por representantes eleitos ou diretamente, conforme o Art. 1º. O Art. 5 garante igualdade perante a lei e direitos como vida, liberdade, segurança e propriedade para brasileiros e estrangeiros residentes no país.

Religião e governo

Gasda sustenta que as religiões não devem exercer funções de governo. Para ele, a convivência democrática exige que o bem comum possa ser procurado por caminhos diferentes, tendo a pessoa humana como referência, e não uma religião específica. A intolerância religiosa, afirma, precisa ser combatida, e somente um Estado laico pode assegurar respeito entre as diferentes crenças.

O professor também critica o fundamentalismo e a hostilidade contra quem pensa de outra forma. Na avaliação dele, o uso político do nome de Deus pode confundir fé com interesse eleitoral. O artigo encerra com uma referência ao segundo mandamento: “Não invocarás em vão o nome do Senhor teu Deus” (Êxodo 20,7).

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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