Centenas de moradores de Kuhestak, no sul do Irã, participaram na quinta-feira (3) do funeral das vítimas de um ataque dos Estados Unidos contra uma festa de casamento. Entre os mortos estava Amir-Mohammad Karimi, de quatro anos, a única criança atingida. O caixão foi levado sobre uma caminhonete coberta pela bandeira iraniana.
O míssil atingiu a casa por volta das 21h30 de segunda-feira (1), enquanto a comemoração acontecia. Kuhestak fica no condado de Sirik, na província de Hormozgan, em uma área costeira do Estreito de Ormuz. O local está entre os pontos de maior tensão desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã.
Autoridades dos Estados Unidos afirmam que o alvo era uma torre de telecomunicações a cerca de 135 metros da residência. No Irã, foram contabilizados ao menos quatro mortos: Karimi, uma adolescente de 16 anos e dois adultos. O vice-governador de Hormozgan estimou quase 70 vítimas, entre mortos e feridos. Parte dos feridos está em estado crítico, e as autoridades iranianas alertam que o número de mortos pode aumentar.
Zeinad Mallahi, uma das pessoas presentes na festa, descreveu o momento do ataque: “Ainda escuto as vozes das mulheres alegres e, de repente, o teto da sala e as paredes desabaram sobre nós”.
Questionado sobre o episódio, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse estar “extremamente cético” em relação aos relatos iranianos e afirmou que as Forças Armadas americanas não atacam civis em combate. Ele também declarou que o caso está sendo investigado e respondeu: “Às vezes, coisas acontecem”.
O Movimento Internacional da Cruz Vermelha protocolou uma representação no Tribunal Penal Internacional, pedindo uma investigação independente, imparcial, minuciosa e eficaz. O embaixador iraniano na ONU, Gholamhossein Darzi, pediu providências ao Conselho de Segurança e classificou o bombardeio como crime de guerra.
Na madrugada seguinte ao casamento, Teerã lançou mísseis e drones contra bases dos Estados Unidos no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos, em retaliação.







