BRASÍLIA — Trabalhadores dos Correios mantêm ocupações e atos em diferentes estados durante a greve iniciada na última quinta-feira (10). Em Brasília, o Centro de Tratamento de Encomendas (CTE) chegou ao terceiro dia de ocupação nesta quarta-feira (16), enquanto novas mobilizações estão previstas para os próximos dias.
O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintect-DF) ocupa desde segunda-feira (14) a unidade localizada no Setor de Transporte Rodoviário de Cargas (STRC). A entidade afirma que a ação ganhou adesão e cobra avanços nas negociações do acordo coletivo.
Nesta quarta-feira (16), o sindicato realiza uma assembleia geral às 17h30, na Praça do Trabalhador, em Ceilândia. Depois, os trabalhadores devem participar de um ato de campanha do presidente Lula (PT), marcado para 19h. A categoria pretende pressionar o governo federal a intervir nas negociações.
Entre os pedidos do Sintect-DF estão a aplicação integral do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) sobre salários e benefícios, a preservação de direitos anteriores, do ticket extra e da condição dos Correios como mantenedora do plano de saúde. O sindicato também reivindica a retomada do horário matutino na jornada aos sábados.
O plano de saúde é um dos principais pontos de divergência. Em vídeos divulgados pelo sindicato, trabalhadores dizem que a alteração na responsabilidade dos Correios pode elevar a participação dos empregados no custeio do benefício. A entidade também contesta transferências compulsórias e mudanças na organização do trabalho. Entre as reivindicações estão investimentos na empresa e a preservação do atendimento postal em regiões afastadas dos grandes centros.
Ocupações em outros estados
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) informa que houve ocupações em Indaiatuba, no interior de São Paulo, e no Centro de Tratamento de Belo Horizonte, em Minas Gerais. A federação também menciona mobilizações no Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará e Bahia.
Em Indaiatuba, o Centro Logístico de Distribuição foi ocupado na madrugada desta quarta-feira (16). Conforme o sindicato local, o objetivo é pressionar o governo federal a reabrir a mesa de negociação antes do julgamento do dissídio coletivo.
A greve por tempo indeterminado começou depois que os trabalhadores recusaram a proposta da direção dos Correios. A empresa afirma que o texto preservava 78 das 80 cláusulas do acordo anterior e previa reajuste pelo INPC para salários e benefícios. Para a categoria, ainda há divergências sobre direitos e, principalmente, sobre o plano de saúde.
Decisão do TST e serviços
Após o início da paralisação, os Correios solicitaram ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) a abertura de dissídio coletivo. Em decisão liminar de sábado (12), o presidente do tribunal, ministro Vieira de Mello Filho, determinou que 80% do efetivo fosse mantido em cada unidade ou estabelecimento durante a greve. A medida inclui atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas necessárias à continuidade dos serviços.
O julgamento está marcado para 21 de setembro, às 13h30. Até essa data, sindicato e empresa ainda podem chegar a um acordo. A Fentect convocou um ato em Brasília para esta quinta-feira (17), às 9h, com participação de sindicatos e trabalhadores em defesa dos direitos da categoria e dos Correios como empresa pública.
Os Correios dizem ter acionado um Plano de Continuidade de Negócios. As medidas incluem deslocamento de empregados administrativos para atividades operacionais, remanejamento de veículos e mutirões para manter o fluxo de encomendas e correspondências. A estatal afirma ainda que as agências continuam abertas ao público.
A empresa também relata dificuldades econômico-financeiras e diz trabalhar para reduzir despesas, ampliar a eficiência, modernizar as operações e criar novas receitas. Os Correios buscam um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia do Tesouro Nacional.






