A paralisação dos trabalhadores dos Correios ocorre enquanto a estatal tenta avançar em um plano de reestruturação financeira que inclui controle de despesas, mudanças na rede de atendimento e medidas para recuperar a liquidez. Para o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Distrito Federal (Sintect-DF), a discussão envolve tanto os direitos da categoria quanto a capacidade de manter o serviço postal em todo o país.
A empresa formalizou ao Tesouro Nacional, no dia 3 de setembro, um pedido de garantia para contratar um empréstimo de R$ 7 bilhões com quatro bancos privados. A operação ainda depende da análise do Tesouro. Os Correios informaram que a primeira fase do plano foi voltada à contratação de crédito, enquanto a segunda prevê racionalização de ativos e redução de despesas. Entre as medidas estão o Plano de Demissão Voluntária (PDV) e a alienação de imóveis sem uso operacional. A terceira etapa busca ampliar as receitas com novos negócios e parcerias nacionais e internacionais.
Funcionários e demanda por encomendas
A presidenta do Sintect-DF, Amanda Corcino, afirma que a greve foi iniciada por causa do plano da empresa e da defesa de direitos previstos no acordo coletivo. Ela cita cortes na operação, fechamento de unidades e programas de demissão voluntária entre os pontos contestados.
Segundo a dirigente, o quadro de pessoal diminuiu ao mesmo tempo em que o comércio eletrônico ampliou a procura por entregas. “O último concurso dos Correios foi em 2011”, afirmou Amanda. Para o sindicato, essa combinação aumenta a carga de trabalho e dificulta o atendimento.
O sindicato também questiona mudanças no plano de saúde. A entidade afirma que a empresa pretende deixar de ser mantenedora do benefício. Amanda diz que os empregados já arcam com mensalidades e coparticipação, em um custo de mais ou menos R$ 1 mil, equivalente a um terço do salário. Os Correios sustentam que a assistência será mantida, embora o modelo de gestão possa mudar.
A dirigente relaciona o benefício às condições de trabalho, citando problemas ortopédicos associados ao transporte de bolsas pesadas, exposição ao sol e movimentos repetitivos na triagem. O sindicato também contesta alterações em outras cláusulas, incluindo a retirada de benefícios históricos e de um pagamento adicional no fim do ano.
Acordo coletivo e rede de atendimento
Na proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028, os Correios afirmam ter mantido 78 das 80 cláusulas do acordo anterior e previsto reposição da inflação para salários e benefícios. Em 11 de setembro, a empresa informou que apresentou pedido de dissídio ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), depois que a mediação terminou sem acordo e a minuta foi rejeitada em assembleias sindicais. Os itens sem consenso serão analisados pelo tribunal.
O sindicato afirma que novas mudanças podem reduzir ainda mais a remuneração indireta dos empregados, depois de alterações aceitas em negociações anteriores.
A entidade também associa a reestruturação ao cumprimento da universalização postal. Para Amanda, a redução da estrutura pode dificultar o acesso a serviços públicos realizados por meio dos Correios, principalmente em municípios menores e regiões afastadas. De acordo com a empresa, sua rede de atendimento está presente em 5.553 municípios brasileiros.
Os Correios dizem que a reorganização da rede segue critérios técnicos, como a proximidade entre unidades, chamada de sombreamento, e que as metas de universalização serão preservadas. A estatal também prevê formatos como o Correios Essencial (CEL) e pontos de coleta.
Medidas durante a greve
A empresa informou ter acionado o Plano de Continuidade de Negócios após o início da paralisação. Segundo os Correios, a carga postal é remanejada conforme a necessidade, as agências permanecem abertas e empregados administrativos apoiam as atividades operacionais. A estatal também afirmou que realiza mutirões de entrega para manter o fluxo logístico e reduzir os impactos aos clientes.






