Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
Viver bem, todos os dias
Brasil

Instituto ligado à produtora de “Dark Horse” teve tesoureiro que diz nunca ter atuado

Jacio Dantas aparece em atas do ICB por seis anos, mas afirma que apenas emprestou o nome; documentos também mostram divergências em assinaturas.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, teve um tesoureiro-geral que afirma nunca ter exercido a função. O eletricista Jacio de Medeiros Dantas aparece em atas como responsável pela tesouraria entre 2014 e 2021, mas disse que apenas emprestou o nome para ajudar na criação da organização.

Dantas também consta como secretário de assembleias e aparece em listas de presença de reuniões. Ao ser questionado, negou ter participado de assembleias ou encontros do instituto. “Não, nunca [atuei como tesoureiro do ICB]. Até porque eu tenho outro trabalho”, afirmou.

Segundo o eletricista, a mãe de Karina pediu que ele cedesse o nome para a formação de uma ONG voltada a um projeto de dança. Ele disse que não tinha contato com Karina havia anos e que nunca teve tempo para desempenhar atividades na entidade.

Divergências nos documentos

As assinaturas atribuídas a Dantas mudam entre atas do próprio ICB e também divergem de registros oficiais relacionados a ele. Em documentos de 29 de setembro de 2014 e de 2015, a grafia apresenta semelhanças com assinaturas encontradas em um processo judicial do eletricista. Já as rubricas que aparecem em uma ata de 2 de outubro de 2017 e na carta de renúncia de janeiro de 2020 são diferentes.

Depois de receber imagens de duas assinaturas, Dantas declarou que não reconhecia nenhuma delas como sua. A comparação também apontou divergências em documentos ligados a Rafael Tadeu da Silva Santanna, que teria sido secretário-geral do ICB de 2014 a 2017, e a Karina Pereira Penha, que teria assumido a secretaria-geral depois da renúncia de Santanna.

Santanna disse ter ficado surpreso com as divergências e afirmou não se lembrar de ter assinado atas ou documentos. Ele pediu acesso aos registros com sua firma, mas não respondeu depois que os documentos foram enviados. Karina Penha confirmou ter trabalhado na ONG, mas não respondeu sobre as assinaturas nem sobre o período em que ocupou o cargo.

Investigações e contratos

O ICB fechou, em 2024, um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar Wi-Fi público na capital. A Polícia Civil de São Paulo investiga o acordo por suspeitas de irregularidades.

A Polícia Federal também apura o desvio de recursos de emendas parlamentares destinados ao instituto. Entre os repasses investigados estão R$ 2 milhões enviados pelo deputado federal Mario Frias, roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”.

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União concluiu que o instituto desviou recursos do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria em sete estados e no Distrito Federal. De R$ 11 milhões recebidos pelo ICB, ao menos R$ 2,4 milhões foram considerados superfaturados pela CGU.

Desde 2014, 12 pessoas passaram por cargos como conselheiros fiscais, secretários e tesoureiros. Entre elas está Regina Ferreira da Gama de Nazaré, mãe de Karina, que foi vice-presidente do instituto entre setembro de 2014 e setembro de 2017.

O ICB e Karina Ferreira da Gama foram procurados, mas não responderam até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5