SÃO PAULO — O financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, é investigado em três frentes diferentes. Uma delas levou a Polícia Federal a deflagrar a operação Make Up na quinta-feira (10), com 29 alvos e 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino e conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. Entre os principais alvos estão o deputado federal Mário Frias, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, e Karina Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora do longa.
Emendas parlamentares
A investigação sob supervisão de Dino apura se recursos de emendas destinados a entidades e empresas ligadas à produtora foram desviados. O foco inclui contratos do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura, ambos presididos por Gama, com empresas relacionadas a doadores de campanha de Frias, ex-assessores e o advogado do deputado.
A Polícia Federal identificou movimentações entre Frias, entidades beneficiadas por emendas, empresas contratadas por essas entidades e a Go Up Entertainment. A produtora movimentou R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025. Os investigadores também apontam coincidência entre repasses de emendas e despesas do filme.
A corporação informou suspeitar de contratações fraudulentas, documentos retrodatados e desvios de dinheiro público. Os crimes investigados são peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Frias, Gama e os demais alvos foram proibidos de deixar o país e de manter contato entre si.
Contrato de wi-fi
A Polícia Civil de São Paulo apura outro possível desvio, relacionado a um contrato do Instituto Conhecer Brasil com a prefeitura da capital paulista. O acordo previa a instalação de 5.000 pontos de wi-fi gratuitos em áreas vulneráveis e chegou a R$ 157 milhões após um aditivo.
A suspeita é que R$ 26 milhões tenham sido direcionados à Go Up Entertainment. Em 2024, o contrato inicial era de R$ 108 milhões. Dos 5.000 pontos previstos para funcionar até junho de 2025, 3.200 haviam sido instalados.
O inquérito começou em março e foi prorrogado por 90 dias em 31 de agosto. Gama afirma que o contrato é regular e não tem relação com o filme. O prefeito Ricardo Nunes disse que o serviço foi prestado.
Repasses ligados ao Banco Master
O terceiro inquérito tramita no Supremo sob relatoria de André Mendonça. A apuração examina repasses feitos por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro para financiar o filme. Flávio é investigado no caso.
Em delação homologada na quarta-feira (9), Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou ter feito sete pagamentos para o fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. O total enviado por Vorcaro ao filme teria sido de US$ 12,3 milhões, o equivalente a R$ 62,7 milhões.
Ainda não está esclarecido como os recursos transferidos para o fundo nos Estados Unidos foram usados. A Polícia Federal também apura se parte do dinheiro bancou despesas de Eduardo no exterior. Ele nega essa possibilidade, e Flávio nega irregularidades no financiamento da produção.








