CURITIBA — A retirada do sigilo das investigações envolvendo o Banco Master foi defendida por Luiz Inácio Lula da Silva durante comício realizado na manhã deste sábado (12), em Curitiba. O presidente afirmou que a divulgação integral do processo permitiria à população identificar os responsáveis pelo caso.
Lula disse ter conversado ao menos três vezes, desde a semana passada, com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para tratar do assunto. Na avaliação do presidente, a liberação das informações é necessária para esclarecer quem está por trás das operações investigadas. “Esse é o ano da verdade vencer a mentira”, declarou.
O evento reuniu cerca de 15 mil pessoas na Boca Maldita e em parte do calçadão da rua XV de Novembro. Uma trégua na chuva que atinge o Paraná nessa semana contribuiu para a presença dos apoiadores. O ato marcou o retorno de Lula à capital paranaense após dois anos.
Corrupção e investigações
Durante o discurso, Lula associou o caso do Banco Master ao combate à corrupção e ao enfrentamento de crimes financeiros. Ele afirmou que as investigações ocorreram durante seu governo e mencionou também operações relacionadas a desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo o presidente, mais de 3 bilhões de reais já foram ressarcidos a pessoas aposentadas que tiveram descontos indevidos em um esquema iniciado em 2019. Lula também declarou que o processo que resultou em sua prisão foi posteriormente anulado por provas inválidas. Ele ficou preso na cidade por 580 dias.
O candidato à reeleição pela quarta vez citou ainda o financiamento do filme “Dark Horse” pelo Banco Master. Flávio Bolsonaro, também candidato à Presidência, é investigado por eventual lavagem de dinheiro relacionada à produção.
Educação como prioridade
Para um eventual próximo governo, Lula reafirmou o compromisso com a educação. Ele apresentou o Programa Pé de Meia, criado em seu terceiro mandato, como uma iniciativa voltada à redução da evasão escolar e ao incentivo à permanência de jovens na escola.
O presidente defendeu a universalização do ensino integral até o ensino médio. Na avaliação dele, deixar um adolescente de 14 ou 15 anos abandonar os estudos aumenta sua exposição ao crime organizado, à prostituição e à falta de oportunidades, enquanto cabe ao Estado oferecer condições para que ele continue estudando.
Lula também afirmou que governos do Partido dos Trabalhadores (PT) criaram ao menos 200 novos campi e universidades em 18 anos. Os institutos federais, segundo ele, passaram de 140, em 2003, para 608. A meta apresentada é chegar a 1 mil.
Candidatos e manifestações culturais
Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, candidatos ao Senado, participaram do comício ao lado de Requião Filho, candidato ao governo do estado. Roberto Requião, candidato a deputado federal e ex-governador do Paraná, também esteve no palco, assim como a primeira-dama, Janja Lula da Silva.
Gleisi afirmou que a eleição de Lula representaria uma vitória contra o ódio e destacou ações associadas aos governos petistas. Dr. Rosinha disse que a disputa teria importância para além do Brasil e apresentou Lula como liderança no enfrentamento à extrema-direita e ao fascismo.
Requião Filho participou do ato com o pai, Roberto Requião, e a mãe, Maristela Quarenghi. Em seu discurso, defendeu um Paraná voltado ao cuidado com a população e mencionou trabalhadores como policiais, professores, agentes de saúde, trabalhadores sociais, pequenos produtores e pequenos empresários.
A programação começou com a cantora Jay de Oyá, integrante do bloco Afro Pretinhosidade. O hino nacional foi cantado por Janine Mathias. Durante a execução, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estenderam sobre o público uma bandeira do Brasil com cerca de sete metros. Um grupo de dançarinos apresentou uma coreografia de streetdance para o jingle “Silva”.
A atividade também recebeu caravanas de diferentes municípios do Paraná. Alessandra Brandt Mariano viajou durante a madrugada desde Santa Maria do Oeste e participou do evento como integrante do MST. A professora universitária aposentada Madselva Feiges afirmou defender universidades e escolas públicas, políticas de saúde e segurança pública, além de dignidade no trabalho.
Rodrigo Zancanaro, coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), veio de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná. Ele disse que a participação tinha o objetivo de defender um novo mandato para Lula e dar continuidade a políticas públicas e à garantia de direitos.








