Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Lula promete acabar com bets, enquanto Flávio defende apostas esportivas controladas

Presidente endureceu a posição contra jogos online; senador critica a regulamentação, mas diferencia cassinos de apostas em partidas reais.

Lula endurece discurso sobre bets; Flávio critica regulamentação atual, mas defende aposta esportiva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a defender o fim das bets e dos cassinos online, incluindo o jogo do tigrinho. A mudança ocorre depois de o governo ter criado regras para o setor e, agora, avaliar uma medida provisória para proibir esse tipo de atividade.

Lula afirma que o modelo transforma o vício em lucro e contribui para o endividamento das famílias. Na propaganda eleitoral, chamou as apostas online de vício e doença e declarou: “A gente vai acabar com as bets”.

Da regulamentação à promessa de proibição

Em 2023, o Executivo enviou ao Congresso uma proposta para regulamentar as apostas de quota fixa, modalidade autorizada por lei aprovada em 2018, durante o governo Michel Temer. No fim de 2023, Lula sancionou a Lei 14.790, que estabeleceu exigências de licença e tributação, além de medidas contra lavagem de dinheiro, manipulação de resultados e jogo problemático.

A justificativa do governo era submeter à fiscalização um mercado que já funcionava sem regras. Em outubro de 2024, durante entrevista à Rádio Metrópole, Lula apresentou a regulação como alternativa à proibição: “Nós optamos pela regulação”. Na ocasião, afirmou que encerraria as apostas se as regras não fossem suficientes.

A posição ficou mais dura ao longo de 2026. Em maio, no programa Sem Censura, da TV Brasil, o presidente disse que proibiria todas as bets, embora tenha ponderado que a decisão não dependia apenas dele. Em agosto, afirmou que acabaria com as plataformas se isso dependesse de sua vontade pessoal. Em setembro, comparou a expansão das apostas à do crack durante entrevista ao podcast Desce a Letra Show, com Cauê Moura e Load Comics.

Valores movimentados

O Banco Central estimou que cerca de 24 milhões de pessoas fizeram ao menos uma transferência por Pix para empresas de apostas e jogos online em 2024. Os repasses mensais ficaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões.

O documento também apontou que, em agosto de 2024, cinco milhões de pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões por Pix para essas empresas.

Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas indicam que 43,8 milhões de brasileiros já haviam apostado em plataformas autorizadas até agosto de 2026, o equivalente a 27% da população adulta. No primeiro semestre, as plataformas receberam R$ 88,5 bilhões em depósitos e pagaram R$ 68,3 bilhões em prêmios.

Em julho, novas regras passaram a exigir alertas de que apostar pode causar dependência, envolve risco de perda financeira e não é investimento. A norma também restringiu anúncios com palpites ou análises de comentaristas, especialistas e influenciadores que pudessem induzir apostas, além de proibir mensagens sobre ganhos garantidos, jogo excessivo ou pressão para apostar imediatamente.

A regulamentação ainda impediu o acesso de beneficiários do Bolsa Família e do BPC às plataformas legais. Naquele momento, a estratégia do governo era limitar a publicidade e bloquear o acesso de grupos vulneráveis, e não extinguir o mercado.

Flávio separa cassino e esporte

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro critica a lei sancionada por Lula em dezembro de 2023 e afirma ter votado contra a regulamentação. Em vídeo de campanha, disse que muitas pessoas se iludem com a possibilidade de ganhar dinheiro, gastam além do que têm e acabam endividadas.

Apesar de se declarar contrário aos jogos em geral, Flávio diferencia os cassinos online das apostas em partidas reais de futebol, vôlei ou tênis. Para ele, esse segundo tipo pode ser controlado. Em transmissão com Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, resumiu sua posição: “O cassino online tem que acabar”.

Pesquisas mostram rejeição

A oposição às bets já era majoritária antes da atual ofensiva eleitoral. Em novembro de 2024, pesquisa Datafolha apontou que 65% dos brasileiros defendiam a proibição das apostas esportivas online. O percentual era de 68% entre mulheres e 61% entre homens.

Levantamento Atlas/Bloomberg divulgado nesta semana indicou que 75% apoiam a proibição, acima dos 73% registrados em abril.

A mesma pesquisa mostrou uma dificuldade para a campanha de Lula: 36% responsabilizaram seu governo pela disseminação das bets, enquanto 25% citaram o governo Jair Bolsonaro e 16,5% apontaram o Congresso.

Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, as campanhas de Lula e Flávio tentam atrair eleitores que ainda não escolheram entre os dois candidatos. Na avaliação dele, Lula busca recuperar uma imagem desgastada com anúncios de apelo popular, enquanto Flávio tenta apresentar o governo como tolerante com as apostas e associar a mudança de posição do presidente ao período eleitoral.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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