HAVAÍ — O mangue-vermelho, levado para o arquipélago com a intenção de conter a erosão costeira, avançou sobre lagoas, estuários e margens de rios. A espécie passou a reter detritos, elevar o fundo dos leitos e reduzir a velocidade da água, alterando habitats usados por aves aquáticas ameaçadas.
As mudas foram transportadas da Flórida para a ilha de Molokai pela indústria açucareira, no início do século vinte. O objetivo era estabilizar o solo costeiro e evitar que chuvas fortes e enxurradas carregassem sedimentos férteis para recifes marinhos vulneráveis. A planta, porém, se espalhou para áreas que se desenvolveram sem florestas densas.
Como a vegetação se espalha
As raízes aéreas se entrelaçam nas margens e acumulam matéria orgânica. Com o tempo, esse material deixa os canais mais rasos, diminui o fluxo natural e prejudica a qualidade dos mananciais. As vagens da árvore também flutuam com as marés e as correntes marítimas. Ao alcançar margens lodosas, podem dar origem a novas colônias, fechando canais e formando áreas de sombra contínua.
A expansão do mangue-vermelho cobre planícies lodosas e clareiras ensolaradas que serviam de alimentação para a fauna local. As raízes ainda limitam a movimentação dos animais nas margens. A falta de áreas abertas dificulta que muitas aves percebam predadores terrestres, como mangustos e gatos selvagens.
Entre as espécies ameaçadas estão o perna de pau havaiano, conhecido como aeo; o galeirão havaiano, chamado alae keokeo; o frango d’água havaiano, denominado alae ula; e o pato selvagem havaiano, conhecido como koloa maoli. Essas aves dependem de pântanos abertos para nidificar e encontrar pequenos invertebrados e sementes.
Remoção e recuperação
Equipes especializadas e voluntários retiram troncos e raízes dos canais da costa de Oahu. O trabalho busca liberar o fluxo da água e favorecer a recuperação das lagoas costeiras. Também há plantio de vegetação nativa nas margens para ajudar a conter o solo.
A manutenção precisa ser prolongada, porque sementes transportadas pela água podem ocupar novamente as áreas limpas. O canal The Nature Conservancy in Hawai’i and Palmyra publicou um vídeo informativo sobre o problema ambiental.







