Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Memória de Richard Santos expõe tensão entre cultura e repressão em Vigário Geral

Professor relata encontro com Zuenir Ventura em 1993 e revisita marcas da violência policial e da desigualdade no Rio de Janeiro.

Memória de Richard Santos expõe tensão entre cultura e repressão em Vigário Geral

Richard Santos relembra a presença de Zuenir Ventura em uma atividade cultural realizada em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, em 1993. O encontro ocorreu em meio ao luto dos moradores pela chacina que matou 21 pessoas e terminou com a interrupção do evento pela Polícia Militar.

A ação foi organizada pelo Grupo Cultural AfroReggae, ainda em seus primeiros anos, e reuniu crianças, música e moradores em uma iniciativa de convivência comunitária. Santos também participava do Centro de Articulação das Populações Marginalizadas (CEAP), onde atuava na articulação da juventude negra.

Um dia de cultura interrompido

Segundo o relato de Santos, a programação transcorria sem conflitos até que o comando local da Polícia Militar decidiu encerrá-la. A entrada dos agentes na comunidade foi acompanhada por tiros, repressão e medo. Moradores ajudaram os participantes a deixar o local, mesmo estando expostos à violência.

Na época, Santos era conhecido como Big Richard e atuava no hip-hop. Ele estava acompanhado de Jorge Damião, José Júnior, Teco Rastafari, Mônica, Arcélio Farias, Marcelo Yuka e outros integrantes das iniciativas. José Júnior e Teco Rastafari estavam entre os criadores do AfroReggae. Yuka seria conhecido como um dos criadores e fundadores da banda O Rappa.

Santos afirma que a abordagem policial revelou a suspeita lançada sobre jovens negros envolvidos com cultura e organização comunitária. Para ele, o episódio contrastou com o trabalho desenvolvido durante o dia, voltado às crianças e à convivência entre os moradores.

O registro de Zuenir Ventura

O episódio foi publicado no jornal AfroReggae Notícias e também registrado pela imprensa carioca. Mais tarde, Zuenir Ventura relatou a experiência no livro Cidade partida, obra em que também mencionou a atuação de Santos na juventude negra e no hip-hop.

A morte de Zuenir, em 22 de setembro, fez Santos voltar à memória daquele domingo. Ele conta que, depois do encontro em Vigário Geral, os dois desenvolveram uma relação de carinho e mantiveram o reconhecimento de quem havia compartilhado uma situação difícil.

Em setembro, pouco antes de receber a notícia da morte do jornalista, Santos esteve novamente no Rio de Janeiro. Morador de Salvador, ele visitou o Rio Comprido, bairro onde nasceu, e associou o retorno às marcas de desigualdade e violência que continuam presentes na cidade.

Hoje, Richard Santos é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia, tem pós-doutorado e participa do comitê de acompanhamento das decisões do 9º Congresso Pan-Africano ligado à União Africana. Também exerce a função de chefe de gabinete da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia (Sepromi).

Para Santos, a lembrança de Big Richard permanece em sua forma de escutar os jovens, compreender a dimensão política do hip-hop e reconhecer iniciativas criadas nos territórios. Passados mais de trinta anos, ele questiona quanto a cidade mudou para a juventude negra das periferias.

Ao se despedir de Zuenir, Santos afirma que a memória daquele encontro também representa o trabalho de uma geração que respondeu à violência com organização, cultura e presença. Ele escreve que a história pertence, antes de tudo, aos moradores de Vigário Geral.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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