Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Países pobres enfrentam alta na conta de alimentos mesmo com queda dos cereais

Relatório da FAO mostra que a despesa global com importações cresceu em 2025, com impacto maior sobre alimentos essenciais para dietas saudáveis.

Países pobres enfrentam alta na conta de alimentos mesmo com queda dos cereais

A alta dos gastos com alimentos importados atingiu com mais força países vulneráveis em 2025. Mesmo com a redução dos custos de importação de cereais e açúcar, essas nações desembolsaram mais com óleos e gorduras vegetais, café, chá, cacau, frutas, hortaliças, carnes e pescado.

Os dados estão no relatório Food Outlook – biannual report on global food markets, da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO). Na avaliação de Aline Mota e Thiago Lima, o cenário mostra como a conta de importações pode pressionar o acesso a proteínas, micronutrientes e vitaminas.

Nos países de baixa renda, os gastos com importação de alimentos cresceram R$ 8,2 bilhões (USD 1,6 bilhão), ou 6,7%. Entre os países de menor desenvolvimento relativo, o aumento foi de R$ 15,3 bilhões (USD 3 bilhões), ou 4,9%. Já os países em desenvolvimento que importam mais alimentos do que exportam tiveram alta de R$ 49,0 bilhões (USD 9,6 bilhões), ou 6,5%. Na África Subsaariana, o crescimento chegou a R$ 24,5 bilhões (USD 4,8 bilhões), ou 7,7%.

O que explica a conta maior

O gasto global com importação de alimentos somou cerca de R$ 11 trilhões (USD 2.2 trilhões) em 2025, alta de 7,9% em relação a 2024. O resultado superou o recorde anterior. A elevação, porém, não foi igual entre os produtos.

O grupo de café, chá, cacau, especiarias e itens relacionados registrou o maior aumento, de 33,3% em 2025 em relação a 2024, e respondeu por mais de um terço do crescimento total do Gasto com Importação de Alimentos (GIA) mundial. Frutas, legumes e hortaliças vieram logo depois.

Mota e Lima ressaltam que o GIA mede o valor monetário das compras externas, e não apenas a quantidade de comida adquirida. Fretes, energia, seguros, câmbio e condições de oferta também influenciam o total pago por um país.

Os países de alta renda concentram a maior parcela do GIA mundial e puxaram o aumento global, principalmente por causa de café, cacau e outros produtos de maior valor. A inflação de alimentos, segundo os autores, também afeta assalariados, trabalhadores informais e desempregados nesses países, embora a vulnerabilidade alimentar não seja a mesma observada nas nações mais pobres.

Produção e políticas no Brasil

O Brasil está no grupo de países de renda média-alta, no qual o GIA aumentou R$ 96,9 bilhões (USD 19 bilhões), ou 4%. O relatório não apresenta dados individualizados para o país.

Para Mota e Lima, a resposta não passa por abandonar o comércio internacional, considerado importante para o Brasil e para o mundo. O artigo defende o fortalecimento de políticas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar, restaurantes populares e bancos de alimentos, além de medidas para ampliar a produção e o consumo de frutas, legumes, verduras e pescados.

Outra frente apontada é o aumento da capacidade de produção diversificada da agricultura familiar. Segundo pesquisa publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), esse segmento está associado a mais de 500 produtos. Os autores também citam a discussão sobre estrutura fundiária e reforma agrária e o desenvolvimento de bioinsumos para substituir fertilizantes químicos e agrotóxicos.

O relatório SOFI 2026, da Organização das Nações Unidas (ONU), trata do alto custo das dietas saudáveis. Para os autores, acompanhar os gastos com importação ajuda a compreender as pressões sobre o sistema agroalimentar e reforça a importância de produzir alimentos diversos e insumos agrícolas dentro do próprio território.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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