A Polícia Federal descreve Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, como “pioneiro nas Bahamas” por causa de estruturas offshore que ele teria montado no país. Alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24), Freixo é dono da Entre Investimentos e operador financeiro de Daniel Vorcaro junto ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A descrição aparece em uma representação da PF que cita o RIF nº 144413, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento foi usado no pedido de abertura de uma investigação específica sobre o financiamento do filme.
Estruturas financeiras e movimentações
Segundo a PF, a atuação de Freixo nas Bahamas ajuda a demonstrar a relação dele com Vorcaro. O banqueiro também é investigado por movimentações internacionais no país caribenho.
Entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, Vorcaro movimentou US$ 89,6 milhões nas Bahamas. A PF afirma, porém, que as remessas conhecidas até agora para o filme Dark Horse foram enviadas diretamente ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.
O relatório do Coaf citado pela polícia relaciona Vorcaro à Mosaic Financial, corretora de valores mobiliários registrada nas Bahamas, além de outras empresas. A suspeita é de que o banqueiro pudesse usar essa estrutura para lavagem de dinheiro de corrupção e outros crimes.
A PF afirma que Freixo não tem o perfil de um intermediário financeiro convencional. Na representação, o órgão registra: “Freixo é descrito publicamente como “pioneiro nas Bahamas” em razão de estruturas offshore que teria montado naquele país”.
Empresa contratada pela campanha
Em outra frente, a campanha de Flávio Bolsonaro declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma despesa de R$ 1,5 milhão com a Hanbellseg Serviços e Locações Ltda. A contratação aparece na prestação parcial de contas da candidatura. A empresa, sediada em Sorocaba, já recebeu R$ 500 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
Carolina Carmezin Beldi e Beatriz Carmezim Beldi, sócias da Hanbellseg, também integram a Golden Atividades Imobiliárias Ltda. A companhia tem capital social de R$ 14,9 milhões, e sua maior sócia é a Feyther Investment Fund Ltd., fundo constituído nas Bahamas.
Em novembro de 2025, uma alteração contratual aumentou o capital da Golden em R$ 3.417.858, admitiu Beatriz e Mariana Carmezin Beldi como sócias e transferiu a sede para a Rua Vicente Lamarca, 326. No mesmo número estão registradas a Hanbellseg e a HB3 Serviços de Terceirização.
A operação elevou o capital social da Golden de R$ 11.556.301 para R$ 14.974.159. As novas quotas foram integralmente subscritas pela Feyther, que passou a deter 9.388.000 das 14.974.159 quotas, equivalentes a 62,65% de participação.
Antonio Fabio Beldi aparece com 5.586.156 quotas. Carolina, Beatriz e Mariana ficaram com uma quota cada. A Golden é administrada por Carolina e Nelson Diniz da Costa, que também representa a Feyther no ato societário brasileiro.
Registros da Feyther
A Feyther tem inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica sob o número 19.311.044/0001-60. Comprovante emitido pela Receita Federal em 23 de setembro de 2026 identifica o fundo como “empresa domiciliada no exterior” e informa que o CNPJ está suspenso desde 9 de outubro de 2021, por “inconsistência cadastral”.
O contrato brasileiro da Golden informa que a Feyther foi constituída conforme as leis das Bahamas e registra endereço em Nassau. Na relação oficial de fundos da Securities Commission of The Bahamas de 30 de setembro de 2020, o fundo aparece sob a classificação SFM 004, administrado pela The Winterbotham Trust Company Limited. Na lista de 31 de maio de 2026, a Feyther não aparece mais.
Nos Estados Unidos, a Feyther consta como manager da Golden Florida Real Estate LLC, aberta na Flórida em 21 de maio de 2015 sob o número L15000090133. O registro atribui ao fundo um endereço em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Golden Florida passou a informar Curitiba, no Paraná, como endereço principal após alteração registrada em 23 de abril de 2026.
Os registros consultados não identificam o beneficiário final da Feyther. Carolina, Beatriz, Mariana e Antonio Fabio Beldi não aparecem como beneficiários finais nos documentos analisados. Nelson Diniz da Costa figura como procurador do fundo no Brasil e administrador da Golden.
A conexão societária entre as proprietárias de uma empresa contratada pela campanha e uma companhia cuja maior participação pertence a um fundo estrangeiro está registrada nos documentos. Não há indicação de transferência de recursos da campanha para a Golden ou para a Feyther.







