Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Rede internacional amplia apoio digital a Flávio Bolsonaro antes da eleição

Perfis estrangeiros fizeram publicações pagas sobre as chances do senador em uma plataforma ligada a investidores próximos de Donald Trump Jr.

Como atua a rede estrangeira ligada a Donald Trump em favor de Flávio Bolsonaro na eleição brasileira
Foto: Divulgação Flávio Bolsonaro/Reprodução rede X

Publicações pagas de perfis estrangeiros passaram a promover Flávio Bolsonaro (PL) e suas chances na eleição brasileira em plataformas digitais ligadas a uma rede internacional de mídia, apostas e tecnologia eleitoral. Entre os nomes conectados estão Donald Trump Jr., Javier Negre, Fernando Cerimedo e Brad Parscale.

Em 20 de setembro, o Visegrád24 publicou no X que a probabilidade de Flávio vencer estava subindo na Polymarket. A postagem, vista por mais de 1 milhão de seguidores, trazia uma imagem do senador ao lado de Javier Milei e recebeu a identificação “parceria paga”, posteriormente apagada. Em 30 de abril, o mesmo perfil havia divulgado que Flávio superara Lula nas cotações, com 43% contra 38%.

O Visegrád24 também entrevistou Flávio em fevereiro. Na ocasião, o senador afirmou que o Brasil tinha “um presidente que apoia terroristas”.

As conexões da rede

A Polymarket é uma plataforma de mercados de previsão, na qual usuários negociam contratos ligados a resultados de eleições, esportes e outros acontecimentos. O percentual exibido não corresponde a uma pesquisa eleitoral: representa o preço dos contratos negociados. O acesso à plataforma foi bloqueado no Brasil em abril, porque a empresa não tinha autorização para operar no país.

Desde junho de 2025, a Polymarket é parceira oficial de mercados de previsão do X. Em agosto de 2025, recebeu investimento do fundo 1789 Capital, que tem Donald Trump Jr. como sócio. Ele também entrou para o conselho consultivo da empresa.

Javier Negre é vice-presidente da UHN Plus Media Network, registrada na Flórida em novembro de 2025, e dono do La Derecha Diario. A UHN publicou ao menos nove posts relacionando Flávio às cotações da Polymarket desde 30 de março. Um deles, de 14 de abril, foi identificado como parceria paga.

Negre também participou do lançamento da edição em espanhol do Visegrád24, em parceria com a EDATV e o La Derecha Diario. A conta principal do perfil é mantida pela Intermarium Foundation, entidade americana sem fins lucrativos.

O elo com a tecnologia eleitoral

Fernando Cerimedo, marqueteiro argentino, foi sócio de Negre no La Derecha Diario e anunciou que representaria na América Latina as tecnologias da Campaign Nucleus, criada por Brad Parscale, ex-chefe da campanha de Donald Trump. Cerimedo recebeu, em fevereiro, o prêmio de “consultor político do ano” durante a Hispanic Prosperity Gala, em Mar-a-Lago. Eduardo Bolsonaro fez a apresentação e afirmou que venceria a eleição de outubro com Flávio.

Cerimedo foi detido na Bolívia em 18 de agosto e teve a prisão preventiva decretada. O Ministério Público boliviano o acusa de ser mandante de uma tentativa de feminicídio contra Nadia Beller. A defesa nega as acusações.

Registros oficiais dos Estados Unidos mostram que a Campaign Nucleus LLC, a EyesOver LLC e a Clock Tower X LLC aparecem associadas ao endereço 3745 Medina Road, Unit C, Medina, Ohio, ou 3745 Medina Road, Ste C.

Cerimedo nega qualquer vínculo com a campanha de Flávio e afirma que sua relação com a UHN Plus, o Visegrád24 e a Polymarket é responsabilidade exclusiva de Javier Negre.

O que os documentos mostram

Os registros confirmam conexões entre perfis de mídia, a Polymarket, empresas de tecnologia eleitoral e pessoas próximas à direita internacional. Eles não demonstram, porém, que todas essas estruturas integrem uma única operação coordenada para beneficiar Flávio. Também não foi localizado contrato entre a rede e a candidatura.

As questões sobre quem financiou as publicações, quem escolheu Flávio como tema e se houve intermediação continuam sem resposta. A campanha do senador afirmou não ter conhecimento dos anúncios e negou relação formal com Cerimedo.

A legislação eleitoral permite propaganda paga na internet apenas nas hipóteses previstas para impulsionamento e proíbe conceder vantagem econômica para que pessoas físicas ou jurídicas façam publicações político-eleitorais em seus próprios canais. A Justiça Eleitoral deve analisar cada caso, considerando a origem do pagamento, o contratante e eventual vínculo com a candidatura.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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