Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Pesquisa mostra como mulheres evangélicas conservadoras ampliam força política nos territórios

Estudo da Casa Galileia mapeia 60 candidaturas e descreve redes de fé, eventos e lideranças que chegam à política partidária.

A organização territorial de mulheres evangélicas conservadoras pode alcançar e mobilizar mais pessoas do que perfis com milhões de seguidores nas redes sociais, aponta a pesquisa “Mulheres evangélicas conservadoras nas eleições”, do Lab-CRE (Laboratório Cristãos nas Redes), da Casa Galileia.

O estudo mapeou 60 candidaturas de mulheres conservadoras e identificou uma trajetória de formação política que tem como marco o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016. Em 2018, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Damares Alves (Republicanos-DF) assumiu o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Para o relatório, o período representou “uma reorganização do campo político com ampliação da participação de atores religiosos e conservadores”.

Redes de confiança e formação de lideranças

A pesquisa usa o termo “damarismo” para descrever o aprofundamento da mobilização e da formação de lideranças associadas à senadora Damares Alves. Atualmente, ela e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro são apontadas como referências da estrutura de mobilização dessas mulheres.

A antropóloga e pesquisadora da Casa Galileia Lorena Mochel afirma que o objetivo foi compreender como a profissionalização partidária ocorre a partir das influências presentes nos territórios e das referências construídas com lideranças espirituais. Para ela, os partidos não criaram essas lideranças do zero: aproveitaram redes que já existiam nas comunidades religiosas.

Essas conexões são formadas em grupos de mulheres, eventos, atividades de discipulado, ensino bíblico e intercessão. Segundo Mochel, a organização dessas práticas por gênero contribui para a formação de novas lideranças e para a participação conjunta na política.

As mulheres também promovem chás, encontros, conferências e congressos. Nesses espaços, a articulação religiosa passa a se relacionar com a política partidária.

Pautas e referências políticas

Embora o fenômeno ocorra há quase dez anos, ele passou a chamar mais atenção recentemente. Um dos pontos citados pela pesquisadora foi um vídeo de Michelle Bolsonaro. O relatório relaciona a mobilização atual a uma relação de amadrinhamento político-pastoral entre Damares Alves e Michelle, além do movimento “Mulheres Conservadoras”, lançado pelas duas em 2024.

Entre os temas discutidos nos encontros está a defesa da vida. Na perspectiva apresentada pela pesquisa, a pauta é associada à oposição ao aborto e à imagem de uma “mulher de bem”. O estudo também questiona o significado dessa definição e como ela orienta a atuação política dessas mulheres.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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