A crise interna do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ocupar o centro da campanha eleitoral, deixando em segundo plano os programas de governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A avaliação é dos autores Lauro Allan Almeida Duvoisin e Miguel Enrique Stédile, que apontam a corrupção e as decisões da Corte como temas predominantes da disputa.
Em 36 horas, o STF tomou três decisões envolvendo André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. O impasse foi temporariamente contornado por Edson Fachin, presidente do tribunal. Para os autores, Fachin tem perfil moderado e pode ajudar a reduzir os conflitos, mas ainda não demonstrou se conduzirá reformas capazes de recuperar o papel institucional da Corte.
A próxima etapa mencionada no artigo é a análise, pelo plenário do Supremo, da validade do relatório da Polícia Federal sobre Alexandre de Moraes, marcada para terça-feira (15/9). As manifestações bolsonaristas de 7 de setembro também são apresentadas como um reflexo da crise: os atos deram apoio a Mendonça e fizeram ataques a Moraes, enquanto a participação de Flávio Bolsonaro teria ficado em segundo plano.
Estratégias das campanhas
A campanha de Flávio tenta transformar a insatisfação com a situação política e com o STF em votos para a direita. A estratégia também busca apresentar Jair Bolsonaro como vítima de Alexandre de Moraes. Ao mesmo tempo, a nova ofensiva da Polícia Federal no caso Dark Horse, em um inquérito comandado por Flávio Dino, é apontada como uma fonte de preocupação para a candidatura e seus aliados.
Do lado petista, a orientação descrita pelos autores é explorar o caso Dark Horse, questionar a atuação de Mendonça e reforçar a liderança de Fachin. Lula também defende a quebra do sigilo de todos os envolvidos no caso Master. A proposta foi posteriormente assumida pelo próprio presidente do STF.
A pesquisa Quaest citada no artigo indicou empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno. O resultado é interpretado como sinal de recuperação do candidato bolsonarista após o auge do escândalo Dark Horse. Os autores também relacionam o desempenho de Flávio ao recuo das intenções de voto em Lula e à piora na avaliação do governo.
A desaprovação do governo alcançou 50%, enquanto a arrecadação declarada para a campanha chegou a R$ 44 milhões para Flávio Bolsonaro e R$ 35 milhões para Lula. Thomas Traumann avalia que existe uma distância entre a visão otimista do presidente sobre sua administração e a percepção da população: apenas 31% dos eleitores considerariam o governo ótimo ou bom.
O peso da economia
Além da crise no Supremo, o artigo aponta a economia como um fator relevante para a campanha petista. Os autores citam o isolamento de Lula em seu terceiro mandato, dificuldades na articulação política e o distanciamento do empresariado.
A campanha do PT tenta sustentar que a vida dos trabalhadores melhorou em relação ao período de Bolsonaro. O texto reconhece que a previsão de crescimento do PIB aumentou, a projeção de inflação caiu e o governo controla o preço dos combustíveis. Mas destaca a estagnação do setor de serviços pelo segundo mês seguido.
Na avaliação apresentada, a situação dos endividados continua pressionada pela renda comprometida com crédito, juros altos e bets. Com isso, a disputa eleitoral passa a combinar a crise institucional do STF, os casos investigados pela Polícia Federal, a força do bolsonarismo e a percepção sobre a economia.








