Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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SUS enfrenta baixo investimento e desafios na rede hospitalar de Minas Gerais

Sistema é reconhecido internacionalmente, mas enfrenta subfinanciamento, atrasos em hospitais regionais e críticas à gestão em Minas Gerais.

SUS enfrenta baixo investimento e desafios na rede hospitalar de Minas Gerais

Reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como referência internacional em saúde pública, o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta limitações de financiamento e problemas na expansão da rede hospitalar em Minas Gerais. O Banco Mundial também classificou a experiência brasileira como referência para países que buscam sistemas de saúde mais igualitários.

A estrutura pública reúne 301 mil agentes comunitários de saúde, 55 mil equipes de Saúde da Família, 76 mil unidades ambulatoriais, 7,2 mil unidades hospitalares e 313 mil leitos. Ainda assim, os investimentos por habitante estão abaixo dos registrados em países que buscam universalizar o atendimento.

Financiamento do SUS

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o Brasil investe 610 dólares por pessoa ao ano. França, Reino Unido, Canadá, Austrália, Portugal, Espanha e Itália destinam mais de 2 mil dólares por cidadão, considerando a média de 2021. França e Reino Unido aplicam mais de 4 mil dólares per capita.

O financiamento público do SUS corresponde a 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, conforme dados de 2023. A gestão é tripartite: União, estados e municípios dividem responsabilidades pelo custeio e pela execução das ações.

A União faz repasses nacionais e coordena políticas estratégicas. Os estados organizam as redes regionais e apoiam os municípios, responsáveis pela maior parte da execução dos serviços. Como os recursos são transferidos no modelo fundo a fundo, o governo estadual tem papel central na distribuição do dinheiro e na articulação regional.

Hospitais regionais em Minas

Em Minas Gerais, uma pesquisa Quaest divulgada no final de julho apontou a saúde entre as áreas que mais preocupam os mineiros nas eleições de 2026. Para 32% dos entrevistados, a atuação do Executivo estadual na área é negativa; 38% a classificaram como regular.

O médico infectologista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Unaí Tupinambás criticou a condução da saúde durante os governos de Romeu Zema (Novo). “Três características marcam esse período: a omissão, a incompetência e a burocratização”, afirmou.

A falta de hospitais regionais para atendimentos de alta complexidade faz com que moradores do interior precisem viajar até a capital. Das seis unidades anunciadas na campanha de 2018 — em Sete Lagoas, Conselheiro Lafaiete, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Divinópolis e Juiz de Fora —, duas haviam sido entregues até março de 2026.

O hospital regional de Teófilo Otoni foi inaugurado por Mateus Simões (PSD) em 18 de junho, mas, até o momento, funciona apenas com exames de imagem. O vereador João Gabriel Prates (PT) defendeu a federalização da unidade para garantir a abertura completa e o funcionamento do prédio.

Segundo Tupinambás, a descentralização pode reduzir o tempo de deslocamento de pacientes e fortalecer as regionais de saúde. A unidade de Teófilo Otoni fica na cidade-polo dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha e deverá atender a maior área sem assistência hospitalar de Minas.

Fechamento de unidades e servidores

Também há críticas ao plano de fechamento de unidades da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). A proposta de criação de um novo complexo, chamado HoPE, colocou sob risco o Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), referência em ortopedia, e o Hospital Alberto Cavalcanti (HMAC), especializado em oncologia.

Tupinambás afirmou que o novo hospital ainda não saiu do projeto e que a redução de leitos pode aumentar a fila por cirurgias ortopédicas. Especialistas citados no debate avaliam que a iniciativa pode abrir espaço para a atuação de Organizações Sociais (OSs).

Servidores e usuários também denunciam a perda de leitos e a precarização do atendimento especializado. Na área da saúde, as perdas inflacionárias chegaram a 27% durante os sete anos de gestão Zema, período que incluiu os anos de pandemia.

Para o professor da UFMG, a falta de concursos e o uso de contratos com alta rotatividade fragilizam os vínculos dos trabalhadores. Ele defendeu políticas de valorização dos profissionais do SUS.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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