Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Tarifa dos EUA alcança US$ 234 milhões em produtos mineiros

Equipamentos médicos, disjuntores e pedras trabalhadas estão entre os itens afetados pela cobrança adicional de 25%.

Impacto das tarifas dos EUA em Minas é estimado em US$ 234 mi, diz Fiemg

A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22/7) e atinge 15 dos principais itens exportados por Minas Gerais. Juntos, eles movimentaram cerca de US$ 234 milhões no mercado americano em 2025, segundo levantamento do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (CIN/FIEMG).

A cobrança inclui equipamentos médicos, disjuntores, pedras preciosas trabalhadas, produtos derivados de rochas e sebo bovino. Para a Fiemg, a medida pode pressionar preços, margens e contratos dos segmentos afetados, além de reduzir a competitividade diante de fornecedores de outros países.

Produtos mais expostos

O sebo de bovinos, ovinos ou caprinos lidera a lista, com quase US$ 34 milhões em exportações. Na sequência aparecem os disjuntores de baixa tensão, com aproximadamente US$ 33 milhões. Minas Gerais respondeu por mais de 97% do valor enviado pelo Brasil nessa categoria em 2025.

As preparações capilares somaram pouco mais de US$ 22 milhões. Já as pedras preciosas ou semipreciosas trabalhadas chegaram a cerca de US$ 21 milhões. Produtos fabricados com magnesita, dolomita ou cromita registraram aproximadamente US$ 19 milhões, e a participação mineira superou 99% do total brasileiro exportado nesse grupo. A ardósia natural trabalhada e os tijolos e peças refratárias com magnésio, cálcio ou cromo também tiveram participação de Minas Gerais acima de 99% no país.

Na área da saúde, válvulas cardíacas, lentes intraoculares e outros aparelhos de prótese representaram US$ 16,99 milhões. Agulhas, cateteres, sondas e produtos semelhantes para uso médico ou veterinário somaram US$ 8,29 milhões, com participação mineira de 60,72% no total nacional.

A tarifa foi estabelecida com base na Seção 301 da legislação comercial americana, depois de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Há uma regra de transição: cargas transportadas antes desta quarta-feira (22/7) podem ficar dispensadas, desde que entrem no mercado americano para consumo antes de 29 de julho.

Itens mineiros ficaram fora da cobrança

Café verde, ferro-gusa, ferronióbio, ferrossilício-manganês, ouro, carne bovina, celulose, mel natural e determinados produtos químicos estão entre as exceções. Os 15 principais produtos mineiros isentos somaram cerca de US$ 3,3 bilhões em exportações em 2025, acima do valor registrado pelos itens sujeitos à tarifa.

O ferro-gusa, que estava entre os produtos considerados mais vulneráveis, foi incluído nas exceções. As vendas chegaram a pouco mais de US$ 1 bilhão em 2025, com Minas Gerais representando quase 73% do total exportado pelo Brasil.

No mesmo período, o café verde mineiro alcançou aproximadamente US$ 1,6 bilhão, equivalente a cerca de 83% do valor embarcado pelo país. O ferronióbio teve vendas superiores a US$ 200 milhões e participação mineira próxima de 94% do montante nacional.

Possível aumento da tarifa

A Fiemg também acompanha um anúncio previsto para sexta-feira (24/7), ligado à investigação americana sobre mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil foi incluído no grupo para o qual o USTR propôs uma cobrança adicional de 12,5%. Se essa tarifa for confirmada e somada aos 25% já vigentes, o total poderá chegar a 37,5% sobre os mesmos produtos.

“A combinação das medidas pode colocar produtos brasileiros em desvantagem significativa diante dos principais concorrentes internacionais”, avaliou Verônica Ribeiro Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN/FIEMG. Para ela, a diferença de tratamento entre fornecedores também pode influenciar a escolha dos importadores.

A entidade defende a continuidade das negociações entre os governos brasileiro e estadunidense, a ampliação das exceções e regras claras para uma eventual soma das tarifas. Na terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o governo não descarta usar a Lei de Reciprocidade, embora mantenha a disposição para negociar com Washington.

As mudanças no programa Brasil Soberano, que oferece linhas de crédito a empresários afetados pelas tarifas americanas, ainda não foram anunciadas. O governo deve esperar a definição sobre a alíquota de 12,5% antes de formalizar as medidas de apoio.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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