RIO DE JANEIRO — A Justiça Federal determinou a transferência de Thiago Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, para uma penitenciária federal. A decisão também tornou o ex-deputado estadual réu em um processo que apura a atuação de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV).
O Tribunal Regional Federal (TRF) manteve a prisão preventiva dos réus. A exceção foi o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel, que passará para a detenção domiciliar, com monitoramento eletrônico e restrição de atividades. Ele também ficará afastado do cargo.
Acusações do Ministério Público Federal
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) depois das investigações da Operação Zargun. Segundo a acusação, TH Joias fazia a articulação entre integrantes do grupo e agentes públicos, além de participar de negociações envolvendo drogas, armas e equipamentos antidrones. O MPF afirma ainda que ele usava o gabinete para acomodar indicações da facção.
O grupo, conforme a acusação, mantinha conexões com o CV e participava da compra e da distribuição de armamentos vindos do Paraguai. A denúncia também aponta que Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes e ocupante de cargos comissionados na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), repassava dados policiais em troca de vantagens indevidas.
Ainda de acordo com a investigação, Stteel fornecia informações privilegiadas e tentava favorecer líderes do grupo. Em troca, buscaria cargos públicos para a própria companheira, entre outras contrapartidas.
Também se tornaram réus Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, apontado como integrante de uma organização criminosa que atua no Complexo do Alemão; Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, indicado como liderança do mesmo complexo; e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, identificado como empresário. Pezão está foragido.
Mandato e desdobramentos
Os réus respondem por acusações que incluem tráfico de drogas, tráfico internacional e comércio ilegal de armas de fogo, organização criminosa, associação para o tráfico, posse ou porte de arma de fogo de uso restrito e corrupção ativa e passiva.
TH Joias foi preso em setembro de 2025, durante a Operação Zargun. Na ocasião, ocupava um mandato de suplente na Alerj. Depois da prisão, o titular reassumiu a cadeira, e ele deixou de exercer o mandato.
O caso tem como relator no TRF o desembargador federal Flávio Oliveira Lucas. A operação também antecedeu a prisão do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, na Operação Unha e Carne, exatamente três meses depois. Bacellar foi acusado de repassar informações da Zargun a TH Joias, ficou preso por cinco dias e pediu licença do cargo após ser solto. Ele era cotado para disputar a eleição para governador em outubro de 2026.








