A próxima etapa da missão BepiColombo pode revelar estruturas geológicas que ainda não foram identificadas em Mercúrio. A partir de novembro de 2026, a sonda fará observações da superfície com resolução muito maior do que a disponível em estudos anteriores.
A expectativa está ligada a uma nova estimativa sobre a contração do planeta. Pesquisadores calcularam que Mercúrio pode ter encolhido de 10% a 30% além do que se estimava, chegando a uma redução total de 23 km no diâmetro. A estimativa anterior variava entre 4 e 16 km.
O que escondeu as marcas
O cálculo foi feito com mapas geológicos já existentes e novas observações da rugosidade de toda a superfície de Mercúrio. As áreas mais acidentadas tinham menos escarpas e cristas, estruturas associadas à contração do planeta.
A equipe considerou que os impactos de asteroides e outros objetos poderiam explicar essa diferença. Ao longo da história de Mercúrio, essas colisões abriram crateras e espalharam detritos, cobrindo parte das marcas registradas nas camadas rochosas externas.
Os pesquisadores analisaram as escarpas e cristas em regiões menos afetadas pelo material espalhado. Depois, estimaram a quantidade de estruturas que poderia estar ausente nas áreas mais acidentadas. O resultado indicou uma contração adicional de 10% a 30%.
“Isso nos fez pensar que existe um processo obscurecendo as estruturas de encurtamento”, disse Gaku Nishiyama, líder da equipe e pesquisador do Instituto de Pesquisa Espacial do Centro Aeroespacial Alemão (DLR).
Resfriamento do interior
Mercúrio se formou há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, quando rochas e asteroides colidiam e se uniam. Esses impactos aqueceram o planeta. Desde então, a perda de calor fez o interior esfriar e contribuiu para a contração.
O fenômeno pode ajudar a investigar a composição interna de Mercúrio. Para Nishiyama, uma contração maior pode estar relacionada a um núcleo metálico maior, a uma quantidade menor de elementos leves, como silício, misturados ao núcleo, ou a uma temperatura inicial mais elevada.
Novas observações
A estimativa atual foi baseada em dados da sonda MESSENGER, da NASA, cuja missão terminou em 2015. O equipamento identificava estruturas com aproximadamente 5 km ou mais de extensão; por isso, formações menores podem não ter sido registradas.
O estudo foi publicado na quinta-feira (10) no periódico Geophysical Research Letters. “30% é um pouco surpreendente, mas a quantidade corrigida de contração realmente faz sentido para mim”, afirmou Nishiyama.







