A NASA abriu nesta terça-feira (8) uma chamada para desenvolver tecnologias que poderão apoiar operações humanas de longo prazo na Lua. A iniciativa é voltada à região do polo sul e integra o programa NextSTEP-3, com participação aberta a empresas, instituições acadêmicas e organizações sem fins lucrativos.
A proposta é amadurecer soluções antes de futuras demonstrações no satélite. Os projetos deverão reduzir riscos por meio de testes em solo e avançar até os níveis TRL 5–6, classificação usada pela agência para medir a prontidão tecnológica.
As cinco frentes da chamada
Batizada de Lunar Enabling Infrastructure Accelerator (LEIA), a chamada reúne cinco áreas. Uma delas prevê matrizes solares verticais para geração, gerenciamento, distribuição contínua e armazenamento de energia.
Outra busca produzir oxigênio a partir do regolito lunar usando recursos disponíveis no próprio local, processo conhecido pela sigla ISRU. A tecnologia pretende extrair o oxigênio molecularmente ligado às rochas e à poeira da superfície da Lua.
Também estão incluídos geradores Stirling de radioisótopos. Esses equipamentos usam o calor de materiais físseis para produzir eletricidade e podem ser aplicados a sistemas de espaçonaves em ambientes escuros, empoeirados e remotos.
As duas frentes restantes são a manufatura avançada no espaço, que pode reduzir a dependência de missões de reabastecimento da Terra, e a produção inovadora de nanomateriais. Nesse caso, o foco é ampliar a disponibilidade comercial e a qualidade dos materiais destinados à exploração lunar.
Diferença entre as etapas do programa
O documento corresponde ao NextSTEP-3, Appendix A, identificado como Lunar Enabling Infrastructure Accelerator. A sinopse foi publicada em 19 de maio de 2026, seguida por uma versão preliminar em 29 de junho e pela solicitação final em 8 de setembro.
A NASA diferencia o Appendix A do Appendix B do NextSTEP-3. O primeiro é dedicado à pesquisa e ao desenvolvimento de componentes e sistemas ainda em fase de maturação. O segundo contempla demonstrações de sistemas integrados que já passaram pela comprovação de conceito e pelo desenvolvimento de componentes.
Greg Stover, diretor da Advanced Research and Technology Division da NASA, afirmou que a parceria com a indústria deve contribuir para as capacidades e a infraestrutura necessárias a uma presença sustentável na Lua. A agência também pretende usar dados técnicos e resultados das demonstrações para orientar futuras estratégias de aquisição.
A competição prioriza capacidades lideradas pelos Estados Unidos, mas permite a participação de parceiros internacionais integrados a equipes lideradas pelo país.







