O Bares Pela Democracia defende que cultura e democracia estejam no centro do debate eleitoral de 2026. Em artigo de opinião, o coletivo relembra medidas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro e declara apoio a candidaturas que considera alinhadas à preservação das instituições e dos direitos sociais.
A avaliação apresentada é que o setor cultural enfrentou um processo de desmonte durante a gestão. O Ministério da Cultura foi extinto no início do governo e transformado em secretaria especial, primeiro vinculada ao Ministério da Cidadania e depois ao Ministério do Turismo. O artigo também cita a redução do teto de captação da Lei Rouanet, cortes de cachês, cancelamento de editais e censura a espetáculos e exposições.
Entre os episódios lembrados estão o enfraquecimento de órgãos como a Ancine e o Iphan, os vetos às leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2 — posteriormente revertidos pelo Congresso — e a passagem de Sérgio Camargo pela Fundação Cultural Palmares. O coletivo também critica o discurso que, segundo sua avaliação, minimizava o racismo e as lutas do movimento negro.
Apoios e candidaturas
O Bares Pela Democracia destaca a atuação de Jessy Dayane, candidata a deputada estadual pelo PT, na articulação entre movimentos sociais e bares de São Paulo. O grupo também menciona Carmen Silva, candidata a deputada estadual pelo PSB e uma das fundadoras do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), além da Ocupação 9 de Julho.
No campo estadual, o artigo cita a Bancada Feminista pelo Psol, formada por Paula Nunes, Simone Nascimento, Sirlene Maciel, Camila Lisboa e Raquel Gualberto. Também são lembradas Silvia Ferraro, Carolina Iara, Dafne Sena e Natália Chaves, relacionadas à orientação sobre os treinamentos da Lei Não Se Cale, voltada à prevenção de agressões sexuais e situações de risco.
Luna Zarattini, candidata do PT a deputada federal e vereadora de São Paulo eleita em 2024, aparece entre os nomes apoiados. O coletivo associa sua atuação a pautas como o fim das bets, a Tarifa Zero, o fortalecimento dos cursinhos populares e a defesa da soberania nacional.
Críticas e posicionamento eleitoral
O artigo também manifesta preocupação com uma possível aproximação entre interesses dos Estados Unidos e setores bolsonaristas. Flávio Bolsonaro é citado como representante de um projeto de alinhamento automático do Brasil aos Estados Unidos e associado às contestações ao sistema eleitoral e à tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2022.
Ao mesmo tempo, o Bares Pela Democracia afirma ter críticas ao governo Lula e ao modelo de governabilidade influenciado pelo Centrão. O coletivo, porém, declara apoio às candidaturas de Fernando Haddad e Lula por considerar que o risco de uma nova experiência bolsonarista seria maior.
O grupo ressalta que é heterogêneo e que suas opiniões internas não são uniformes. Ainda assim, defende o voto em candidaturas comprometidas com regras básicas de convivência democrática e cita Marina Silva entre os nomes para o Senado.
A conclusão é que o futuro da cultura depende também das escolhas eleitorais. Para o coletivo, a defesa do diálogo e o combate à intolerância devem orientar a participação política em 2026.








