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Rito acelerado do Congresso reduz debate e pressiona políticas ambientais

Urgências, sessões semipresenciais e decisões fora das comissões têm limitado a análise de propostas ambientais no Legislativo.

Rito acelerado do Congresso reduz debate e pressiona políticas ambientais
Foto: Folhapress

A Câmara dos Deputados e o Senado vêm recorrendo a urgências, votações rápidas e sessões semipresenciais para analisar propostas ambientais, muitas vezes sem a passagem pelas comissões especializadas ou a realização de audiências públicas. Para as autoras, esse modelo reduz o debate, limita a participação social e pode produzir retrocessos duradouros.

Um exemplo ocorreu em 15 de julho, quando o Senado colocou em pauta, definiu o relator, recebeu o parecer e votou, em poucas horas, a redução da proteção da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará. A unidade perdeu 486 mil hectares. Dois meses antes, a Câmara já havia adotado procedimento semelhante.

O fortalecimento do poder de decisão orçamentária, a partir da PEC do Orçamento Impositivo, de 2015, e a articulação de setores como a Frente Parlamentar da Agropecuária, que reúne 345 parlamentares, ampliaram a capacidade de aprovação de medidas que alteram regras ambientais. A plataforma Farol Verde, do Instituto Democracia e Sustentabilidade, aponta que o meio ambiente saiu derrotado em 70% das votações nominais da agenda ambiental da atual legislatura, de 2023-2027.

Propostas em regime acelerado

O Observatório do Clima registrou nove requerimentos de urgência aprovados durante a chamada Semana do Agro, em maio. No mês seguinte, durante a semana do Dia Mundial do Meio Ambiente, nenhuma das 35 pautas pendentes avançou.

Entre os projetos está o PL 2.564/2025, de Lucio Mosquini, que enfraquece o uso de imagens de satélite e do cruzamento de dados públicos pelo Ibama no combate ao desmatamento. A urgência foi aprovada em março, e a proposta chegou ao plenário da Câmara em maio, antes da conclusão da análise pelas comissões permanentes.

Também tramita o PL 5.900/2025, de Pedro Lupion, que amplia a influência do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre normas capazes de afetar espécies de interesse produtivo. O texto foi aprovado na Câmara em sessão extraordinária semipresencial, com parecer do plenário no lugar da análise de quatro comissões, e aguarda andamento no Senado.

Em julho, a Câmara aprovou ainda a urgência do PL 849/2025, de Geovania de Sá, que reduz uma área de proteção ambiental em Santa Catarina usada como berçário para baleias-francas. Depois, o presidente da Câmara, Hugo Motta, levou ao plenário a urgência do projeto de decreto legislativo 171/2026, da Coronel Fernanda, contra a ampliação da Estação Ecológica de Taiamã, no Pantanal. As duas propostas chegaram sem debate no plenário.

As comissões são espaços de análise especializada, produção de informações, negociação e audiências públicas. Quando são substituídas por pareceres apresentados diretamente no plenário, o processo desloca decisões para lideranças e relatores e reduz as oportunidades de aprimoramento dos textos.

Embora previstos nos regimentos das duas Casas, os mecanismos de urgência podem restringir o tempo de discussão e a participação de grupos afetados. Para as autoras, a democracia legislativa não depende apenas do voto, mas também das condições para conhecer projetos, apresentar mudanças e negociar alternativas.

O texto também relaciona esse funcionamento à aprovação, em 2025, da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, apresentada como uma ruptura de mais de quatro décadas de aplicação da principal ferramenta de prevenção de danos da Política Nacional do Meio Ambiente.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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