Uma pesquisa de opinião pública mostrou que a maioria dos brasileiros se opõe à morte voluntária assistida (MVA), embora uma parcela significativa apoie a prática. O levantamento foi realizado pelo Datafolha no início de agosto de 2026, com 2.050 pessoas em 137 municípios e margem de erro de dois pontos percentuais.
Quando o tema é a eutanásia, definida como a morte voluntária assistida realizada por outra pessoa, 45% se declararam totalmente contrários e 11%, parcialmente contrários. Do outro lado, 22% disseram ser totalmente favoráveis e 17%, parcialmente favoráveis.
No caso do suicídio assistido, em que o próprio paciente realiza o ato, 50% se posicionaram como totalmente contrários e 10% como parcialmente contrários. Os totalmente favoráveis somaram 22%, enquanto 13% foram parcialmente favoráveis.
Debate em outros países
A discussão também avançou em outros lugares. A França aprovou, em 18 de agosto desse ano, uma lei que permite a morte voluntária assistida para nacionais e residentes permanentes maiores de 18 anos, capazes de expressar livremente a vontade e que tenham doença grave, incurável e irreversível, com sofrimento insuportável.
Em outubro de 2025, o Uruguai reconheceu em lei o direito à morte digna. Na Colômbia, o Poder Judiciário reconheceu o direito à assistência médica no morrer como consequência da dignidade da pessoa humana. Países da Europa Ocidental e o Canadá já têm regras para a morte voluntária assistida, incorporada ao sistema de saúde como último recurso em situações de sofrimento do paciente.
Para Marcelo Sarsur, advogado criminalista, doutor em direito pela UFMG e 2º vice-presidente da Sociedade Brasileira de Bioética em Minas Gerais (SBB MG), o aumento da tecnologia médica e o envelhecimento da população intensificaram o debate. A tecnologia pode prolongar a sobrevida em casos irreversíveis de doença grave, enquanto o envelhecimento amplia o número de pessoas com doenças graves e sem tratamento.
Na avaliação do autor, a legalização não obrigaria ninguém a escolher a MVA. Ela ofereceria uma alternativa a pacientes que desejassem decidir sobre o próprio destino. Sarsur também sustenta que o reconhecimento desse direito não impediria a busca por tratamentos, a espera por uma cura ou o acesso a cuidados paliativos adequados pelo Sistema Único de Saúde.
O artigo defende que cuidados paliativos e morte voluntária assistida não são opções concorrentes. Para Sarsur, em um Estado de Direito democrático baseado na dignidade da pessoa humana, obrigar alguém a permanecer em sofrimento intenso por tempo indeterminado afrontaria esse princípio.
A posição apresentada é favorável à possibilidade de escolha individual. Ao concluir, Marcelo Sarsur afirma: “Eu quero decidir, sem limitações legais. E quanto a você?”







