Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Pesquisa mostra divisão no Brasil sobre a morte voluntária assistida

Levantamento do Datafolha ouviu 2.050 pessoas e apontou maioria contrária à eutanásia e ao suicídio assistido.

Pesquisa mostra divisão no Brasil sobre a morte voluntária assistida

Uma pesquisa de opinião pública mostrou que a maioria dos brasileiros se opõe à morte voluntária assistida (MVA), embora uma parcela significativa apoie a prática. O levantamento foi realizado pelo Datafolha no início de agosto de 2026, com 2.050 pessoas em 137 municípios e margem de erro de dois pontos percentuais.

Quando o tema é a eutanásia, definida como a morte voluntária assistida realizada por outra pessoa, 45% se declararam totalmente contrários e 11%, parcialmente contrários. Do outro lado, 22% disseram ser totalmente favoráveis e 17%, parcialmente favoráveis.

No caso do suicídio assistido, em que o próprio paciente realiza o ato, 50% se posicionaram como totalmente contrários e 10% como parcialmente contrários. Os totalmente favoráveis somaram 22%, enquanto 13% foram parcialmente favoráveis.

Debate em outros países

A discussão também avançou em outros lugares. A França aprovou, em 18 de agosto desse ano, uma lei que permite a morte voluntária assistida para nacionais e residentes permanentes maiores de 18 anos, capazes de expressar livremente a vontade e que tenham doença grave, incurável e irreversível, com sofrimento insuportável.

Em outubro de 2025, o Uruguai reconheceu em lei o direito à morte digna. Na Colômbia, o Poder Judiciário reconheceu o direito à assistência médica no morrer como consequência da dignidade da pessoa humana. Países da Europa Ocidental e o Canadá já têm regras para a morte voluntária assistida, incorporada ao sistema de saúde como último recurso em situações de sofrimento do paciente.

Para Marcelo Sarsur, advogado criminalista, doutor em direito pela UFMG e 2º vice-presidente da Sociedade Brasileira de Bioética em Minas Gerais (SBB MG), o aumento da tecnologia médica e o envelhecimento da população intensificaram o debate. A tecnologia pode prolongar a sobrevida em casos irreversíveis de doença grave, enquanto o envelhecimento amplia o número de pessoas com doenças graves e sem tratamento.

Na avaliação do autor, a legalização não obrigaria ninguém a escolher a MVA. Ela ofereceria uma alternativa a pacientes que desejassem decidir sobre o próprio destino. Sarsur também sustenta que o reconhecimento desse direito não impediria a busca por tratamentos, a espera por uma cura ou o acesso a cuidados paliativos adequados pelo Sistema Único de Saúde.

O artigo defende que cuidados paliativos e morte voluntária assistida não são opções concorrentes. Para Sarsur, em um Estado de Direito democrático baseado na dignidade da pessoa humana, obrigar alguém a permanecer em sofrimento intenso por tempo indeterminado afrontaria esse princípio.

A posição apresentada é favorável à possibilidade de escolha individual. Ao concluir, Marcelo Sarsur afirma: “Eu quero decidir, sem limitações legais. E quanto a você?”

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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