CIDADE DO VATICANO — A Biblioteca Apostólica do Vaticano transformou o medo de perder seu acervo em uma instalação de arte. Criada pelo francês JR, a obra mostra uma onda em preto e branco prestes a atingir a arquitetura da instituição.
A intervenção ocupa cerca de 70 metros do edifício do século 16, no Cortile del Belvedere. A imagem retoma a representação do dilúvio feita por Gustave Doré em 1866 e sugere o instante anterior ao choque da água contra a fachada.
A instalação integra AQVA, novo ciclo de exposições de arte contemporânea da biblioteca, organizado a partir dos temas “Catástrofe e Maravilha”. A proposta parte da pergunta sobre o que mais assusta as pessoas encarregadas de preservar a memória da humanidade.
Medo da perda
Na leitura de JR, uma chuva de verão pode representar uma ameaça ao patrimônio guardado pela instituição. A água teria capacidade de apagar arquivos em poucas horas, levando consigo parte do conhecimento da humanidade. O artista relaciona essa possibilidade ao cenário de emergências climáticas e calor extremo.
A obra também estabelece uma comparação com a Inteligência Artificial. Segundo o francês, assim como uma enchente pode destruir um arquivo rapidamente, a tecnologia consegue absorver esse mesmo conteúdo em uma velocidade inacreditável.
Além do trabalho de JR, a exposição reúne criações do americano Bill Morgan e do chef italiano Fulvio Pierangelini. As obras abordam a mesma temática em diálogo com os acervos da Biblioteca do Vaticano.
Inaugurada neste mês pelo Papa Leão XIV, AQVA permanece em cartaz até 14 de maio de 2027, na Cidade do Vaticano.







