Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Bullying na adolescência pode afetar autoestima e relações na vida adulta

Humilhações repetidas podem influenciar a forma como adolescentes se percebem e se relacionam, diz psicanalista.

Bullying na adolescência pode afetar autoestima e relações na vida adulta

O bullying na adolescência pode deixar efeitos que continuam depois do fim da escola. Humilhações, intimidações, exclusões e exposições repetidas podem afetar a autoestima, aumentar o medo de ser julgado e dificultar a confiança em outras pessoas, segundo o psicanalista Alexandre Maduenho, doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP).

A adolescência é uma fase importante para a construção da identidade e da maneira como cada pessoa se enxerga nas relações. Quando o jovem é ridicularizado ou colocado constantemente em uma posição de inferioridade, pode começar a incorporar a imagem negativa transmitida pelo grupo. Para Maduenho, o impacto não está somente em um episódio isolado, mas na repetição das agressões e na sensação de não haver um espaço seguro para proteção e reconhecimento.

“A maneira como somos vistos pelo olhar do outro participa da constituição da nossa subjetividade ao longo de toda a vida, mas ganha uma importância particular na adolescência”, explica o psicanalista, autor do livro “A Van – Adolescência em Fuga”.

Entre os sinais associados a esse sofrimento estão o isolamento, a ansiedade, a tristeza, o silêncio, a irritabilidade, a queda no rendimento escolar e mudanças bruscas de comportamento. O adolescente também pode evitar determinados lugares e grupos ou alterar a própria forma de agir para reduzir as chances de voltar a ser alvo.

A expectativa de uma nova agressão pode fazer com que atividades comuns, como ir à escola, entrar em uma sala ou falar em público, sejam vividas com tensão. Nem sempre, porém, o jovem consegue relacionar essas mudanças ao bullying ou explicar claramente o que está sentindo.

Familiares e educadores devem observar alterações persistentes de comportamento e evitar tratar a agressão como algo natural da idade. O adolescente pode ter vergonha de contar o que acontece ou medo de não ser acolhido adequadamente em casa.

Os efeitos também podem aparecer anos depois, interferindo nas relações afetivas, profissionais e sociais. Uma pessoa que foi ridicularizada por sua aparência, comportamento, origem ou modo de se expressar pode chegar à vida adulta com inseguranças e receio constante da rejeição.

Maduenho ressalta que isso não ocorre necessariamente com todas as vítimas. O apoio recebido, a possibilidade de falar sobre a experiência e a presença de relações que ofereçam segurança e reconhecimento influenciam a forma como cada indivíduo atravessa a situação.

“O bullying não deve ser naturalizado como parte inevitável do crescimento”, afirma. Escutar o adolescente e reconhecer a gravidade do que ele vive são passos importantes para interromper o silêncio em torno das agressões.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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