A passagem da sonda Juice pela vizinhança da Terra serviu não apenas para ajustar o caminho até Júpiter, mas também para testar e calibrar seus instrumentos científicos. A operação foi realizada nesta segunda-feira (28), durante um sobrevoo sobre o Oceano Índico.
A espaçonave chegou a apenas 8.640 quilômetros da superfície terrestre. Com a manobra, sua trajetória foi alterada em cerca de 20 graus e a velocidade aumentou aproximadamente 3,5 km/s. O resultado foi obtido sem a necessidade de consumir grandes quantidades de combustível.
Testes durante o sobrevoo
A proximidade com a Terra ofereceu à equipe uma oportunidade de observar o funcionamento dos instrumentos em um ambiente conhecido. Essa foi a terceira ocasião desse tipo ao longo da missão. A primeira ocorreu durante uma assistência gravitacional envolvendo a Lua e a Terra, em 2024. A segunda veio com observações realizadas pela missão em 2025.
“A jornada da Juice até Júpiter oferece poucas oportunidades para calibrar e validar os instrumentos em condições ambientais bem compreendidas”, explicou Claire Vallat, cientista do projeto Juice e líder da iniciativa.
Os dados coletados também serão usados para identificar a melhor forma de operar os equipamentos e criar ferramentas de análise. A preparação deverá ajudar nas observações do sistema de Júpiter, que serão mais complexas.
Como a manobra mudou a rota
A assistência gravitacional permite que uma espaçonave altere velocidade e direção ao passar por um planeta em uma trajetória calculada. Nesse processo, a sonda troca energia e momento com o corpo celeste e parte em uma nova rota, reduzindo a dependência dos motores.
Para a Juice, a técnica é necessária porque uma viagem direta a Júpiter exigiria muito mais energia e combustível. A missão constrói seu caminho gradualmente por meio de encontros sucessivos com corpos do Sistema Solar, em vez de acelerar continuamente e depois usar mais propelente para desacelerar perto do destino.
A aproximação da Terra foi planejada para que a sonda alcançasse o ponto adequado. Nas quatro semanas anteriores ao sobrevoo, os operadores fizeram apenas um pequeno ajuste de trajetória. Segundo Angela Dietz, gerente de operações da Juice, a execução exigiu navegação ultraprecisa em tempo real e consumiu apenas uma pequena parte do propelente reservado.
Próximas etapas da missão
Lançada da Guiana Francesa em abril de 2023, a Juice já passou pelo sistema Terra-Lua e por Vênus. A ESA prevê um último sobrevoo da Terra em janeiro de 2029. Esse encontro deverá posicionar a espaçonave para interceptar Júpiter em julho de 2031.
A etapa mais exigente virá depois da chegada ao planeta. A sonda fará 35 sobrevoos de Ganimedes, Europa e Calisto, as principais luas geladas de Júpiter. Além de produzir observações científicas, os encontros vão alterar progressivamente a trajetória da missão.
Ganimedes será o foco de uma fase posterior: depois da série de sobrevoos, a Juice deverá entrar em órbita ao redor da lua, em uma etapa prevista para a década de 2030. A missão estuda Júpiter e suas grandes luas, consideradas alvos para a investigação de ambientes potencialmente habitáveis no Sistema Solar.







