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Degelo muda rotas, turismo e acesso à água nas grandes montanhas

Relatos de montanhistas e pesquisas mostram a redução de geleiras e os efeitos sobre comunidades, atividades econômicas e ecossistemas.

Degelo muda rotas, turismo e acesso à água nas grandes montanhas

O derretimento de geleiras já alterou rotas de escalada, estações de esqui e o acesso à água em diferentes regiões montanhosas. Relatos de expedicionários e estudos citados no texto mostram mudanças nos Andes, na África Oriental, no Himalaia e nas áreas polares.

O montanhista brasileiro Pedro Hauck, que escala montanhas há mais de duas décadas, compara suas experiências no Aconcágua, na Argentina. Em 2002, durante sua primeira expedição ao local, ainda havia gelo na área do acampamento base, a 4.300 metros de altitude. Hoje, segundo ele, a mesma região não tem gelo.

“Cadê o gelo que estava aqui?”, pergunta Hauck ao retornar à montanha. Ele também relata mudanças na Rincon, nos Andes, onde uma rota que antes era feita por uma canaleta de gelo passou a ser realizada sobre rocha. Como as pedras ficavam estabilizadas pelo gelo, a nova condição aumenta o risco durante a escalada, de acordo com o montanhista.

Menos neve e estações abandonadas

Hauck afirma que, além da temperatura, houve alterações na precipitação, no vento e na irradiação. Nos Andes, tem nevado menos, enquanto as rotas técnicas de escalada em gelo desaparecem. As rochas expostas ao Sol e às variações climáticas passaram a ocupar áreas antes cobertas por gelo.

A estação de esqui de Chacaltaya, na Bolívia, fechou em 2009 depois que o gelo desapareceu. O local ficava a 5.421 metros de altitude e era considerado a estação de esqui mais alta do mundo. Com o fim da neve, foram interrompidas atividades ligadas ao clube de montanhismo, à estação, aos empregos e à geração de renda mencionados por Hauck.

O montanhista também cita a estação de Vallecitos, na Argentina, totalmente abandonada por falta de gelo, e a estação de Penitentes, parcialmente abandonada desde 2016 porque nem todos os invernos têm neve suficiente. Em um curso de alta montanha na Bolívia, ele passou a levar os grupos a 5.300 metros para encontrar gelo. Antes, as aulas práticas eram realizadas a 4.900 metros.

A redução das geleiras também afeta a disponibilidade de água. Segundo Hauck, áreas que tinham abundância hídrica passaram a registrar escassez, levando pessoas a deixar suas terras e seu modo de vida em direção às cidades. Em agosto de 2023, a região dos Andes, no pé da cordilheira, registrou 38,9 graus centígrados, embora fosse inverno.

Perdas no Kilimanjaro e nos polos

Um estudo realizado com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente apontou que 13 mil hectares de mata na base do Kilimanjaro foram destruídos pela mudança climática a partir de 1976. Incêndios florestais associados à elevação da temperatura estiveram entre os principais desafios registrados no período analisado.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas prevê aumento de 3,2°C na temperatura média anual da África Oriental até 2080. A massa de gelo já perdida na região chega a 80%, e os glaciares podem desaparecer completamente em algumas décadas. O estudo recomenda o reflorestamento do Kilimanjaro para proteger o abastecimento de água. A quantidade perdida com o degelo poderia abastecer um milhão de pessoas durante um ano.

O glaciólogo Jefferson Cardia Simões afirma que as geleiras polares perderam 30% de sua área, enquanto as geleiras não polares, como as dos Andes, perderam 40%. O derretimento expõe rochas, que aquecem a região, e pode causar inundações no início do processo e escassez hídrica posteriormente.

Simões participou de expedições ao Ártico e à Antártica. Em 2025, sua última expedição investigou a movimentação do gelo nas bordas do continente antártico e a salinidade do mar. A pesquisa identificou maior acidez no oceano austral, associada à concentração de CO2 na água.

Registro das mudanças

O fotógrafo, historiador e expedicionário João Paulo Barbosa documenta o degelo pelo projeto N’Ice Planet. O trabalho reúne registros de zonas frias, migrações relacionadas às mudanças climáticas, riscos para povos árticos, pesquisas científicas e ações de mitigação.

Em 2026, Barbosa fotografou geleiras do Nepal. Em 2025, voltou à Antártica e também esteve na Islândia e na Cordilheira Branca, no Peru. Entre os próximos destinos citados estão Uganda, a Groenlândia e a Nova Zelândia. O projeto inclui ainda filmes, exposições em museus e escolas e palestras.

A Venezuela se tornou o primeiro país a perder todos os seus glaciares. O último deles, La Corona, no Parque Nacional de Sierra Nevada, diminuiu de 4,5 km quadrados de campo de gelo sólido para 0,02 km de gelo.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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