RIBEIRÃO PRETO — O escape de urina durante corrida, salto ou dança também pode acontecer com mulheres jovens e fisicamente ativas. O problema não está necessariamente ligado ao envelhecimento, à maternidade ou ao sedentarismo e não deve ser tratado como algo esperado durante o exercício.
Especialistas em saúde pélvica da Clínica Videlis explicam que atividades de impacto aumentam a pressão sobre a bexiga. Para evitar a perda de urina, o assoalho pélvico precisa responder de forma rápida e coordenada. Quando essa reação falha, podem ocorrer escapes.
“O exercício físico aumenta a pressão dentro do abdômen, e isso exige uma resposta rápida, coordenada e eficiente do assoalho pélvico”, explica Marielle Yali, fisioterapeuta especialista em disfunções pélvicas.
Nem sempre é falta de força
A fraqueza muscular pode prejudicar a continência, mas não é a única possibilidade. Falhas de coordenação, tensão excessiva e pouca consciência corporal também podem interferir na resposta da musculatura durante corridas e saltos.
Por isso, apenas fazer exercícios para fortalecer a região pode não resolver o problema. A fisioterapeuta Josiane Pavão, especialista em saúde íntima masculina e feminina e dor crônica, afirma que algumas mulheres ativas apresentam um assoalho pélvico excessivamente tenso. Nesses casos, a musculatura permanece em estado de defesa e tem dificuldade para coordenar sua resposta ao impacto.
Estresse, histórico de dor pélvica e alterações respiratórias podem estar relacionados a esse padrão. A pelve precisa contrair e relaxar no momento adequado para contribuir com a continência.
Quando procurar avaliação
O escape pode levar algumas mulheres a usar absorventes durante o treino, evitar certos movimentos ou abandonar atividades por vergonha e medo de novos episódios. A fisioterapia em saúde íntima avalia a coordenação muscular, os padrões de movimento, a resposta ao impacto e a relação entre respiração, postura, abdômen e assoalho pélvico.
A partir dessa análise, podem ser indicadas estratégias individualizadas de educação corporal, reeducação do movimento, coordenação pélvica e progressão do impacto. “O objetivo não é afastar a pessoa do exercício, mas permitir que ela se movimente com segurança, previsibilidade e confiança”, destaca Marielle Yali.
Para Josiane Pavão, a perda de urina durante o esforço é um sinal que merece atenção, e não algo a ser ignorado.







