A prática regular de atividade física está associada a uma menor incidência de demência e pode contribuir para reduzir a progressão do Alzheimer em pessoas já diagnosticadas. Atividades aeróbicas que elevam a frequência cardíaca aparecem entre as estratégias de cuidado mencionadas pela professora Dra. Elisa de Paula França Resende, da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Alzheimer está entre os tipos mais comuns de demência e representa cerca de 60% a 70% dos casos no mundo. No Brasil, mais de 5 milhões de pessoas poderão ser diagnosticadas com demência até 2050, de acordo com o Ministério da Saúde.
O que caracteriza a doença
O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que provoca alterações no cérebro. Com o tempo, pode comprometer a memória, o raciocínio, a linguagem e a capacidade de realizar atividades do dia a dia. A idade avançada e o histórico familiar estão entre os fatores associados à doença, assim como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo, perda auditiva não tratada, isolamento social e baixa estimulação cognitiva.
A professora explica que envelhecer não significa necessariamente desenvolver Alzheimer. A evolução clínica costuma ser dividida pelo Ministério da Saúde em quatro estágios: inicial, com alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais; moderado, com dificuldades na fala, em tarefas simples e na coordenação dos movimentos; grave, marcado por maior dependência, incontinência e dificuldade para comer; e terminal, com restrição ao leito, mutismo, dor ao engolir e infecções intercorrentes.
Sinais e investigação
A perda de memória recente é um dos principais sinais de alerta. Repetir perguntas ou histórias, esquecer acontecimentos recentes mesmo após receber pistas, ter dificuldade para encontrar palavras, organizar tarefas, lidar com dinheiro ou medicamentos e se orientar em lugares conhecidos também pode indicar a necessidade de avaliação.
Pequenos esquecimentos podem fazer parte do envelhecimento normal. A preocupação aumenta quando as alterações são progressivas, frequentes e interferem no funcionamento habitual da pessoa, segundo Elisa de Paula França Resende.
A investigação envolve conversa com o paciente e familiares, avaliação da memória e de outras funções cognitivas e análise do impacto dos sintomas na rotina. Exames de sangue e de imagem, como a ressonância magnética, ajudam a verificar outras possíveis causas. Neurologistas, geriatras e psiquiatras podem conduzir essa avaliação.
O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento no momento adequado e participar das decisões sobre o futuro enquanto a pessoa ainda mantém autonomia. Também possibilita planejar questões familiares, financeiras e de cuidados, além de orientar familiares e cuidadores.
Hábitos que podem ajudar
Além dos medicamentos, manter uma vida social ativa, estimular o cérebro com atividades prazerosas e significativas, cuidar da saúde auditiva e visual e adotar uma alimentação equilibrada são medidas recomendadas pela especialista. Também é importante controlar pressão arterial, diabetes e colesterol e buscar um sono de boa qualidade.
Para quem já apresenta comprometimento cognitivo, rotinas estruturadas, calendários, lembretes e adaptações no ambiente podem ajudar a preservar a independência e a segurança. A campanha nacional Setembro Lilás reúne ações ao longo do mês para chamar a atenção para o Alzheimer e outros tipos de demência. A doença ainda não tem cura definitiva, mas conta com tratamentos que podem contribuir para a qualidade de vida dos pacientes.







