DISTRITO FEDERAL — O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) identificou falhas nas escalas médicas do Hospital Regional do Paranoá, principalmente nos serviços de Ginecologia e Obstetrícia e no Centro Obstétrico. Durante aproximadamente 20 dias de monitoramento, foram registrados 17 turnos com apenas um médico ginecologista-obstetra de plantão ou sem a rendição adequada da equipe.
De acordo com o CRM-DF, o hospital enfrenta insuficiência crônica de médicos e opera frequentemente no limite da capacidade. O Conselho afirma que o cenário pode afetar procedimentos ginecológicos, atendimentos obstétricos de urgência e emergência e a continuidade da assistência materno-infantil.
Impactos nas equipes e no atendimento
A falta de profissionais também é acompanhada pelo Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnf-DF), que relata sobrecarga e dificuldades na composição das equipes de enfermagem da unidade. Para a entidade, a insuficiência de trabalhadores pressiona os profissionais e pode comprometer as condições de trabalho, a qualidade e a segurança da assistência.
Segundo o CRM-DF, a ausência de médicos para assumir os plantões pode fazer com que profissionais permaneçam no hospital após o fim da jornada. A permanência prolongada, somada à rotina sob pressão, contribui para a sobrecarga, o adoecimento e o absenteísmo das equipes.
O SindEnf-DF defende que a gestão enfrente a falta de pessoal, os problemas de cobertura e as dificuldades de rendição, sem tratar essas situações como parte normal do funcionamento do hospital. O sindicato também afirma que a insuficiência em qualquer categoria pode afetar a equipe multiprofissional, já que a enfermagem permanece na linha de frente do atendimento e acompanha o aumento da demanda.
Entre as medidas defendidas estão a recomposição dos quadros de enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos e outros profissionais, a garantia de escalas completas e a nomeação de aprovados em concursos públicos.
Risco no atendimento obstétrico
Os problemas estão concentrados em setores que atendem gestantes e realizam partos. Para o CRM-DF, plantões com apenas um profissional ou sem cobertura adequada representam risco à segurança dos atos médicos e da assistência ao binômio mãe-filho, que reúne o cuidado da gestante e do recém-nascido.
O Conselho também afirma que a falta de médicos pode restringir ou suspender procedimentos ginecológicos eletivos e prejudicar a cobertura de atendimentos obstétricos de urgência e emergência.
O documento encaminhado à Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) registra ainda uma mudança no perfil das gestantes atendidas para parto. A pasta passou a restringir o atendimento a gestantes com 37 semanas completas ou mais. Antes, eram atendidas gestantes a partir de 34 semanas.
Para o CRM-DF, a mudança não elimina a necessidade de equipes médicas em número suficiente. O Conselho cobra um planejamento com cronograma para recompor as escalas, eliminar turnos sem cobertura, garantir a rendição ao fim dos plantões e acompanhar continuamente as condições de funcionamento do serviço.
O CRM-DF também defende medidas para prevenir a sobrecarga, o adoecimento e o absenteísmo. Segundo o Conselho, contratações emergenciais ou terceirizações devem ser temporárias e não substituem concursos públicos estruturados, acompanhados de políticas de valorização e fixação dos profissionais no serviço público.
O CRM-DF encaminhou ofício à SES-DF cobrando a recomposição do quadro médico e a cobertura adequada das escalas. A Secretaria foi questionada sobre a insuficiência de médicos, o dimensionamento das equipes no Hospital Região Leste e a restrição no atendimento a partos de gestantes com menos de 37 semanas, mas não havia respondido até o fechamento das informações.








