O horário das refeições também participa da forma como o organismo processa os alimentos. Durante o dia, o corpo tende a estar mais preparado para digerir, metabolizar e utilizar a energia ingerida. À noite, inicia a preparação para o sono, de acordo com o endocrinologista Fernando Valente, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).
Quando uma refeição importante acontece muito tarde, o processamento pode ser menos eficiente. Entre os possíveis efeitos estão maior elevação da glicose depois de comer, menor gasto de energia durante a digestão e alterações nos mecanismos de saciedade. Com o tempo, esse padrão pode favorecer o acúmulo de gordura e o ganho de peso, além de contribuir para maior risco de diabetes tipo 2 e alterações do colesterol.
Para quem já tem diabetes, refeições noturnas muito tardias podem dificultar o controle glicêmico. Ainda assim, o horário é apenas um dos fatores envolvidos. Peso e glicemia também dependem de genética, qualidade da alimentação, medicamentos, sono e atividade física.
Como organizar as refeições
A recomendação geral para pessoas com diabetes é priorizar as principais refeições mais cedo e evitar jantares muito tardios. Manter horários relativamente regulares pode ajudar o organismo a estabelecer uma rotina.
Pular o café da manhã não é uma estratégia adequada para todos. Alguns estudos indicam aumento da glicemia após as refeições realizadas ao longo do dia. Já o lanche antes de dormir não tem benefício comprovado para o controle do diabetes em geral, embora possa ser necessário em situações específicas, como na prevenção de hipoglicemia para determinados pacientes.
A alimentação com restrição de tempo, conhecida como Time-Restricted Eating (TRE), concentra as refeições em uma janela definida. O período escolhido faz diferença: deixar toda a alimentação para a noite vai contra o funcionamento do relógio biológico.
Uma janela mais precoce, como entre 8h às 18h, pode coincidir com o período de melhor resposta à insulina e maior capacidade de utilizar a glicose e a energia dos alimentos. Segundo Valente, estudos apontam uma perda de peso um pouco maior quando a alimentação fica concentrada em uma janela definida, mas os resultados variam entre as pesquisas.
O TRE não deve ser iniciado sem avaliação, principalmente por pessoas que usam insulina ou sulfonilureias, medicamentos que podem provocar hipoglicemia. Se a pessoa parar de comer às 18h e continuar com insulina agindo por muitas horas, pode ocorrer uma queda importante da glicose caso a dose não esteja ajustada.
Por isso, mudanças sistemáticas na rotina alimentar devem ser discutidas com médico e nutricionista. A estratégia precisa considerar não só peso e glicemia, mas também sono, disposição, segurança e necessidades individuais.







