Um estudo preliminar identificou diferenças nos compostos químicos presentes em amostras do umbigo de pessoas saudáveis e de indivíduos com doença de Parkinson, comprometimento cognitivo leve ou Covid-19. Os resultados ainda não permitem usar o odor da região para diagnosticar doenças.
A pesquisa foi conduzida como prova de conceito e envolveu 24 participantes, divididos em quatro grupos de seis pessoas: Parkinson, comprometimento cognitivo leve, Covid-19 e controle saudável. Os pesquisadores coletaram material do interior do nariz, da área próxima à concha da orelha e do umbigo. Cada amostra foi obtida com um cotonete estéril durante aproximadamente dez segundos, selada e congelada para análise.
Como o cheiro foi analisado
A região do umbigo reúne células mortas da pele, sebo e suor, além de bactérias que se alimentam desse material. Essa combinação produz compostos orgânicos voláteis, moléculas que contêm carbono e evaporam facilmente ao entrar em contato com o ar. A composição desses compostos pode variar conforme fatores como alimentação, medicamentos e doenças.
No laboratório, os cotonetes foram expostos a ar sintético altamente purificado e analisados por espectroscopia fotoacústica baseada em laser. A técnica identificou como as moléculas absorviam a luz infravermelha e produziu uma espécie de impressão digital espectral de cada amostra. Depois, a análise de componentes principais foi usada para procurar padrões entre os grupos.
As diferenças mais claras apareceram nas amostras do nariz e do umbigo. Na região umbilical, os perfis químicos se separaram entre os grupos, com maior distinção entre pessoas saudáveis e participantes com comprometimento cognitivo leve. As amostras de pessoas com Parkinson e Covid-19 ficaram entre esses grupos e apresentaram alguma sobreposição.
Duas semanas depois, os pesquisadores coletaram amostras de outras três pessoas com Parkinson. Esses dados ficaram agrupados com as amostras originais do mesmo grupo. Os pesquisadores ressaltam, porém, que essa verificação também foi limitada pelo número reduzido de participantes.
A análise indicou ainda que apenas cinco comprimentos de onda infravermelha poderiam separar os grupos de maneira quase tão eficiente quanto uma faixa mais ampla. No futuro, isso poderia permitir equipamentos menores e mais simples, mas essa possibilidade ainda precisa ser investigada.
O estudo tem limitações importantes. A idade estava associada a diferenças nas impressões digitais espectrais e, no grupo analisado, idade e diagnóstico estavam muito relacionados. Além disso, o experimento ocorreu em condições controladas de laboratório. Sabonete, perfume, higiene pessoal e contaminantes ambientais podem alterar as amostras no cotidiano.
Por isso, são necessários estudos maiores, com grupos pareados por idade e condições próximas da vida real. Por enquanto, os pesquisadores consideram os resultados uma indicação de que os compostos do odor corporal podem ser investigados em métodos não invasivos de identificação de doenças.







