Uma parceria entre a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e a Marinha do Brasil levou atendimento médico e atividades de educação em saúde a 19 comunidades ribeirinhas de difícil acesso no Amazonas. A ação ocorreu durante a primeira edição da Operação Embarcada, com apoio do Navio de Assistência Hospitalar Soares de Meirelles, que percorreu comunidades ao longo do rio Negro.
Realizada de 12 a 27 de agosto, a operação registrou cerca de 2 mil atendimentos e 3,5 mil procedimentos médicos. A equipe tinha 16 integrantes, entre médicos clínicos, traumatologista, radiologista, hematologista, fisioterapeuta, psicólogo, biomédico, enfermeiro e estudantes da área da saúde.
Educação em saúde e prevenção
As atividades incluíram oficinas de primeiros socorros, educação sexual, saúde bucal, cuidados com a água e prevenção do pterígio. Também foram promovidas conversas sobre projeto de vida e perspectivas para o futuro, sessões de cinema e a organização de bibliotecas nas comunidades.
A UFCSPA levou 17 kg de colírio e mais de 400 óculos de sol para a missão. Segundo a professora e bióloga Cláudia Bica, coordenadora-geral do projeto pela universidade, o pterígio, conhecido popularmente como “carne nos olhos” ou “carnosidade”, é um crescimento de tecido que pode avançar sobre a córnea e prejudicar a visão. A prevenção inclui óculos de sol com proteção UV, chapéu e colírio lubrificante.
A equipe também identificou conflitos sociais e pessoais graves, com participação do psicólogo e encaminhamentos para instituições ou redes de apoio locais. “Na realidade, casos como esses, necessitam de uma abordagem institucional e multidisciplinar”, afirmou Cláudia Bica.
Cooperação por cinco anos
O trabalho é resultado de um termo de cooperação assinado entre a UFCSPA e a Marinha, por meio do Ministério da Defesa, em abril de 2026. O acordo prevê ações consecutivas de saúde durante cinco anos e o embarque de professores, estudantes e residentes em navios da Marinha.
De acordo com Cláudia Bica, as atividades serão realizadas na região Norte, em áreas atendidas pela Flotilha do Amazonas, que inclui Amazonas, Acre e Roraima. A proposta também permite que os participantes conheçam as condições sociais, geográficas e de saúde das populações ribeirinhas.
A universidade mantém ainda ações em comunidades do Rio Grande do Sul, incluindo Capão Novo e São Miguel das Missões, além da capacitação de agentes comunitários de saúde de Alvorada. A UFCSPA participa do Projeto Rondon desde 2012 e desenvolve os projetos Raízes e Sem Fronteiras, reunidos na iniciativa Entrelaçar.
Em julho, estudantes da universidade participaram da Operação Carimbó, do Projeto Rondon, no Pará. A atividade incluiu ações de educação, saúde e direitos humanos em comunidades do estado, entre elas o acampamento Terra e Liberdade, na Serra dos Carajás. O local reúne mais de 5 mil famílias em uma área de 55 hectares, com lotes de 10 por 20 metros. A Vale repassou recursos ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a compra de terras e o assentamento gradual das famílias.







