Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Saúde emocional entra no radar da prevenção de doenças do coração

Estresse persistente, ansiedade, depressão e solidão podem afetar hábitos, pressão arterial e o acompanhamento de problemas cardiovasculares.

Saúde emocional entra no radar da prevenção de doenças do coração

A saúde emocional passou a ocupar mais espaço na prevenção e no cuidado cardiovascular. Em agosto de 2025, a Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) publicou seu primeiro consenso clínico sobre a relação entre saúde mental e doenças cardiovasculares, destacando que essa ligação ocorre nos dois sentidos.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estima cerca de 400 mil mortes por ano por doenças cardiovasculares. A avaliação do coração, portanto, continua incluindo fatores como pressão alta, colesterol elevado e tabagismo, mas também deve considerar estresse, ansiedade, depressão e solidão.

Como o estresse afeta o coração

Diante de uma ameaça, o organismo ativa a resposta de luta ou fuga. A adrenalina acelera os batimentos, contrai os vasos sanguíneos e aumenta temporariamente a pressão arterial. Essa reação é esperada em uma situação de perigo, mas pode se tornar um problema quando é muito intensa ou se repete com frequência.

Em pessoas com hipertensão, diabetes ou outras alterações cardiovasculares, o estresse pode contribuir para a piora da pressão, mudanças no ritmo cardíaco e redução temporária do fluxo de sangue para o coração. A American Heart Association (AHA) relaciona o estresse psicológico agudo a vasoconstrição coronariana, isquemia e arritmias, inclusive em pessoas sem doença cardíaca conhecida.

Dor no peito, falta de ar, suor frio, náusea ou mal-estar intenso após uma situação emocional forte não devem ser automaticamente atribuídos à ansiedade. Uma emoção pode funcionar como gatilho em alguém que já tinha condições para um evento cardiovascular, mas não cria sozinha uma obstrução nas artérias.

Uma forte emoção também pode estar associada à cardiomiopatia de Takotsubo, conhecida como síndrome do coração partido. A condição pode surgir após uma perda, uma separação, uma notícia inesperada ou até um acontecimento positivo muito intenso. O excesso de adrenalina altera temporariamente a contração do músculo cardíaco, com sintomas semelhantes aos de um infarto, como dor no peito e falta de ar. Por isso, é necessária avaliação médica imediata. Na maioria dos casos, a função cardíaca se recupera em semanas, embora a fase aguda possa ter complicações.

Quando o estresse vira rotina

O estresse faz parte da vida, mas merece atenção quando o organismo permanece em alerta por semanas ou meses. A exposição prolongada pode se somar a outros fatores de risco e dificultar o controle da hipertensão.

O impacto nem sempre aparece primeiro em um exame do coração. Ele pode ser percebido na piora do sono, na alimentação, na redução da atividade física, no aumento do consumo de bebidas alcoólicas ou na dificuldade de seguir um tratamento. Segundo o Ministério da Saúde, 46% dos adultos com hipertensão não sabem que têm a doença.

A solidão também passou a ser analisada na pesquisa cardiovascular. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, por meio do primeiro relatório da Comissão sobre Conexão Social, que cerca de uma em cada seis pessoas no mundo enfrenta essa experiência. O documento associou a desconexão social a maior risco de doenças cardiovasculares, depressão e morte prematura.

Um estudo publicado na revista PLOS One em fevereiro de 2026 encontrou maior risco de eventos cardiovasculares entre adultos chineses de meia-idade e idosos que relatavam solidão, mesmo depois de ajustes para diferentes fatores de saúde. Outra meta-análise, publicada na BMC Public Health em 2025 e reunindo mais de 5,2 milhões de participantes, também identificou associação entre solidão ou isolamento social e maior risco cardiovascular. Os autores, porém, ressaltaram diferenças importantes entre os estudos analisados.

Cuidado integral

Tristeza, preocupação e irritação fazem parte da experiência humana. A atenção médica se torna necessária quando esses sentimentos persistem, são intensos ou interferem no sono, na alimentação, na atividade física, no trabalho, nos relacionamentos ou no tratamento de uma doença existente.

A prevenção continua envolvendo não fumar, praticar atividade física, manter alimentação equilibrada, controlar pressão arterial, colesterol e glicemia, dormir adequadamente e fazer acompanhamento médico. Aferir a pressão e realizar exames de colesterol e glicemia também fazem parte desse cuidado.

Saúde emocional e saúde física não precisam ser tratadas como áreas separadas. Procurar ajuda quando o sofrimento começa a afetar a saúde, os hábitos ou o tratamento é uma medida de cuidado, assim como acompanhar a pressão, o colesterol e a glicemia.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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