A venda da Motiva ao grupo mexicano Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR) mudou o comando dos aeroportos de Londrina, Foz do Iguaçu, Curitiba e Bacacheri. A operação foi formalizada em 1º de setembro, por R$ 5,1 bilhões.
Com o negócio, a ASUR passou a administrar 17 aeroportos distribuídos pelas cinco regiões do Brasil. O grupo também controla três unidades no Equador, na Costa Rica e em Curaçao.
Como ficam os aeroportos do Paraná
Os quatro terminais estão entre as maiores estruturas aeroportuárias do estado. Eles foram concedidos à iniciativa privada em 2021, quando o governo federal, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, leiloou aeroportos do Sul brasileiro.
Na época, o Grupo CCR arrematou as unidades por R$ 2,1 bilhões. A empresa passou a ser chamada de Motiva antes da transferência para a companhia mexicana.
O Paraná tem 98 aeroportos. Desse total, 4 são administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), 59 estão sob gestão privada e 35 são mantidos pelas prefeituras municipais, conforme informações do governo estadual.
Outro aeroporto paranaense também está previsto em um processo de concessão. O Aeroporto Sant’Ana, em Ponta Grossa, deverá ir a leilão em dezembro deste ano, dentro do pacote que inclui o Aeroporto de Brasília e outras 10 concessões. Os valores iniciais são de R$1,2 bilhão para o terminal da capital federal e de R$857,8 milhões para o bloco que reúne as demais unidades.
Críticas à transferência para a iniciativa privada
Marisela García Hernández, economista e professora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), no campus Laranjeiras do Sul, avalia que a privatização de estruturas públicas entra em conflito com as responsabilidades do Estado. Para ela, a transferência pode aumentar a dependência de monopólios orientados pelo lucro.
“Sem estes ‘braços’, nos tornamos dependentes dos grandes monopólios”, afirmou Hernández.
A economista também relaciona a privatização à possibilidade de aumento dos preços e à precarização dos serviços, com reflexos na segurança dos usuários. “A dinâmica do capital entra em conflito com a segurança dos usuários”, disse.
Hernández aponta ainda que a onda de privatizações começou na década de 1990 e considera que o processo avançou desde então.







