BANGKOK — O Brasil busca passar à condição de Parceiro de Diálogo Pleno da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), o nível mais alto de parceria oferecido pelo bloco. A informação foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante um evento do Conselho de Comércio da Tailândia, nesta quinta-feira (10), em Bangkok.
Atualmente, o Brasil é Parceiro Setorial de Diálogo. Nessa categoria, a cooperação fica restrita a temas específicos e a reuniões de escalão mais baixo. A mudança permitiria ao país participar das cúpulas anuais de líderes, ter acesso a consultas ministeriais e negociar planos de ação plurianuais com todos os integrantes da Asean.
Vieira afirmou que a elevação de status “criaria novos canais institucionais” e poderia converter a relação comercial em uma parceria estratégica. A Asean reúne 680 milhões de habitantes. Hoje, 12 países têm status de parceiros plenos, entre eles China, Estados Unidos, Rússia e todos os integrantes da União Europeia. O Brasil está entre as dez nações classificadas como Parceiro Setorial de Diálogo, ao lado de Suíça, Alemanha, Emirados Árabes Unidos e Qatar.
Comércio, aviação e semicondutores
A aproximação ganhou força em outubro do ano passado, quando Luiz Inácio Lula da Silva se tornou o primeiro chefe de Estado brasileiro a participar de uma cúpula da Asean. Na 47ª edição do encontro, realizada na Malásia, Lula declarou que “a aproximação entre o Sudeste Asiático e o Brasil, de leste a oeste, é crucial para a defesa do multilateralismo”.
Em relação à Tailândia, o ministro disse que as exportações brasileiras podem ser diversificadas. Ele citou a Embraer como exemplo na fabricação de aeronaves para transporte regional e aplicações especializadas. No segundo trimestre deste ano, a empresa registrou receita de R$ 11,3 bilhões, recorde para o período abril-junho, e carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões, quase R$ 176 bilhões. O valor representou o sétimo recorde trimestral consecutivo e ficou 16% acima do mesmo período de 2025.
Vieira também apontou oportunidades de cooperação em semicondutores e mencionou a empresa tailandesa Siam Silicon. Segundo o ministro, a modernização das redes aéreas no Sudeste Asiático amplia as possibilidades de atuação brasileira no setor.
Histórico e dimensão da relação
Fundada em 1967, em Bangkok, a Asean começou com Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia. Brunei entrou em 1984; o Vietnã, em 1995; Laos e Mianmar, em 1997; e Camboja, em 1999. Timor-Leste foi admitido como o 11.º Estado-membro em outubro do ano passado, durante a 47ª cúpula, em Kuala Lumpur, capital da Malásia.
O comércio entre Brasil e Asean somou aproximadamente US$ 38 bilhões, mais de R$ 193 bilhões, no ano passado. De acordo com Vieira, o bloco se tornou o quinto maior parceiro econômico do país. Nos últimos vinte anos, o comércio brasileiro com a Asean cresceu dez vezes.
Os principais parceiros do Brasil dentro do grupo são Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia. O ministro também citou os biocombustíveis como uma possibilidade de exportação para a Tailândia, diante das discussões sobre aumentos futuros do teor de etanol nos combustíveis. Para Vieira, a relação com a Asean envolve ainda o compromisso compartilhado com o multilateralismo.







