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Martinez vê avanço de um mundo multipolar e destaca papel da China

Em Belo Horizonte, pesquisador britânico relacionou a ascensão chinesa à defesa da soberania nacional e do multilateralismo.

Martinez vê avanço de um mundo multipolar e destaca papel da China

A disputa entre os Estados Unidos e a China expressa, na avaliação de Carlos Martinez, uma transição do sistema imperialista liderado pelos norte-americanos para uma ordem multipolar. O pesquisador britânico afirma que esse processo pode ampliar a soberania dos países e abrir espaço para diferentes caminhos de desenvolvimento, inclusive o socialista.

Martinez participou do debate “A China e o Socialismo na Disputa Geopolítica Global”, em Belo Horizonte. Coeditor do site Friends of Socialist China, ele é autor de The East Is Still Red: Chinese Socialism in the 21st Century e The End of the Beginning: Lessons from the Soviet Collapse.

A experiência chinesa

O pesquisador sustenta que a China continua sendo essencialmente socialista, apesar da presença de capital privado, desigualdade, bolsas de valores e bilionários. Para ele, a estrutura política e econômica do país permanece organizada em torno do planejamento estatal e das necessidades gerais de desenvolvimento, e não do enriquecimento de uma elite.

Como argumento, Martinez cita a erradicação da extrema pobreza. Segundo dados do Banco Mundial mencionados por ele, desde 1980, 800 milhões de pessoas saíram da pobreza na China. O programa de alívio direcionado iniciado em 2013 tinha como meta retirar os 100 milhões restantes da extrema pobreza até 2021.

Na visão do pesquisador, o resultado foi possível pela capacidade de concentrar recursos em iniciativas locais. Ele afirma que 3 milhões de quadros do Partido Comunista da China foram enviados a aldeias para identificar as necessidades de comunidades e famílias, com ações que incluíam moradia, escolas e apoio à comercialização de produtos rurais.

Martinez também diferencia o sistema chinês dos modelos democráticos ocidentais. Ele afirma que a China adota uma “democracia popular de processo inteiro”, com eleições, Congressos Populares e órgãos consultivos voltados à formulação de políticas a partir de consultas em comunidades, sindicatos e organizações sociais.

Soberania e conflitos internacionais

Para o pesquisador, a ascensão da China e o fortalecimento do Sul Global fazem parte de uma mudança mais ampla nas relações internacionais. A multipolaridade, segundo ele, pressupõe igualdade entre os países, respeito à soberania e aplicação dos princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.

Martinez afirma que Estados Unidos e aliados tentam conter esse movimento por meio de sanções, tarifas, restrições tecnológicas e outras medidas econômicas. Ele também relaciona a disputa global aos conflitos no Irã, na Ucrânia e em outras regiões.

Em relação ao Brasil, o pesquisador diz que o país tem papel relevante por cooperar com China, Venezuela, Cuba e Rússia e por ser membro fundador do BRICS. Na avaliação dele, os Estados Unidos buscam influenciar o cenário político brasileiro para preservar sua hegemonia.

Sobre a atuação chinesa, Martinez argumenta que o país enfrenta limitações militares diante da estrutura de poder norte-americana, mas procura agir por meios diplomáticos e econômicos. Ele cita a cooperação com Cuba, o apoio ao Irã e a atuação da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O pesquisador não fez previsão sobre a possibilidade de uma terceira guerra mundial. Para ele, os conflitos atuais demonstram os limites do poder dos Estados Unidos e indicam que o mundo está entrando em uma nova fase, marcada pela multipolaridade. “Será um processo longo e doloroso rumo ao nosso mundo pós-imperialista, mas acredito que, no fim, a humanidade chegará lá”, afirmou Martinez.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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