Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Do voto à reivindicação: o que dois comícios revelaram em Porto Alegre

Atos de Flávio Bolsonaro e Lula mostraram maneiras diferentes de ocupar a cidade e expressar identidade política.

Do voto à reivindicação: o que dois comícios revelaram em Porto Alegre

Um cartaz escrito à mão resumiu uma das diferenças entre os comícios de Flávio Bolsonaro, no Parcão, e de Lula, no largo Glênio Peres. A mensagem contava a trajetória de uma mulher da EJA à graduação no IFSul, aos 34 anos, e atribuía essa conquista à educação pública: “Da EJA à graduação no IFSul aos 34 anos. Graças à educação pública. Obrigada, Lula”.

Os atos ocorreram com nove dias de intervalo e reuniram camisetas, bandeiras, celulares erguidos e palavras de ordem. Mas os símbolos cumpriam papéis distintos. No Parcão, a presença política se organizava principalmente em torno de uma identidade compartilhada. No Glênio Peres, o apoio a Lula aparecia ao lado de histórias pessoais, pautas específicas e reivindicações que ultrapassavam a figura do candidato.

Dois modos de reconhecer um lado

Embora Flávio estivesse no palco, Jair Bolsonaro permanecia como referência visual e discursiva entre os apoiadores. Máscaras com o rosto do ex-presidente, bandeiras e palavras de ordem compunham uma imagem coletiva. Lula era apresentado como adversário, Alexandre de Moraes era chamado de “Xandão” e Manuela d’Ávila aparecia como alvo.

Quando Flávio afirmou que, com sua eleição, o PT deixaria de existir, recebeu uma das maiores reações da noite. A frase se encaixava no clima de arquibancada observado no local: mais do que vencer o adversário, estava em jogo a ideia de tirá-lo da disputa.

Essa lógica depende de lados bem definidos, de símbolos capazes de identificar os próprios apoiadores e de códigos compartilhados. Ela pode mobilizar pessoas por horas diante de um palco, mas se torna limitada quando vestir uma camisa passa a ser a única forma de participação política. Nesse ambiente, convencer quem está do outro lado importa menos do que derrotá-lo.

Um largo com pautas diferentes

No comício de Lula, também havia vermelho, bonés, ventarolas, material de campanha, bandeiras e o nome do candidato em letras grandes. Aplausos e celulares voltados para o palco mostravam a capacidade de Lula de concentrar a atenção de milhares de pessoas.

Ao mesmo tempo, o largo reunia movimentos sociais, estandartes artesanais, candidaturas diferentes e reivindicações que continuariam presentes depois da desmontagem do palco. As bandeiras indicavam apoios, mas também apresentavam demandas. A identidade partidária dividia espaço com experiências individuais e pautas específicas.

Diante do Mercado Público, entre o comércio, os terminais e a circulação diária do Centro, o ato fazia parte da paisagem da cidade. Algumas pessoas estavam ali para ouvir Lula; outras podiam atravessar o Centro, parar, observar, concordar, discordar ou simplesmente seguir adiante.

A história registrada no cartaz sobre a formação no IFSul transformava uma política pública em experiência concreta. O papel não expressava apenas apoio eleitoral: contava por que aquela mulher estava ali.

As perguntas deixadas pelos atos

Os dois comícios reuniram paixão, lealdade, esperança e antagonismo. A diferença não estava apenas nos públicos, mas no que os símbolos pareciam pedir de quem os carregava.

No Parcão, a principal pergunta era de que lado cada pessoa estava. No Glênio Peres, a presença também levantava outra questão: o que cada uma queria ao ocupar aquele espaço?

Em um caso, uma máscara com o rosto de Jair Bolsonaro sobre o rosto de um apoiador fazia identidade e personagem quase se confundirem. No outro, o cartaz sobre a passagem da EJA à graduação apresentava uma história de vida junto com o pertencimento político.

Vistos em conjunto, os atos formaram duas imagens de participação. O primeiro comício destacou a força de uma identidade coletiva organizada contra um adversário. O segundo mostrou essa identidade convivendo com experiências, reivindicações e razões próprias para estar na rua.

Pertencer faz parte da política, mas os símbolos de uma mobilização também podem revelar o que seus participantes defendem e esperam depois que o palco deixa de ser o centro da cena.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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