A crise entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) pode influenciar o processo eleitoral previsto para menos de um mês, na avaliação do cientista político Claudio Gonçalves Couto. O conflito ganhou força após o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça.
Couto afirma que o bolsonarismo transformou o ministro Alexandre de Moraes em seu principal adversário. Na avaliação dele, qualquer desgaste de Moraes tende a favorecer esse campo político e a atingir seus concorrentes. “O bolsonarismo escolheu Alexandre de Moraes como seu inimigo favorito”, disse.
Para o cientista político, as reações de Moraes diante das iniciativas de Mendonça também prejudicam a imagem do Supremo. Ele descreve o momento como uma combinação entre a disputa política dentro da Corte e a campanha eleitoral, com efeito sobre a credibilidade da instituição.
Mendonça também foi citado por Couto por causa de um vídeo dirigido ao público evangélico. Segundo a análise, a forma de comunicação usada pelo ministro transmite a ideia de que os evangélicos alinhados a ele estariam próximos do candidato que apoia. Couto avalia que as ações recentes de Mendonça mostram uma participação mais direta na campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ao STF contra o afastamento de Rodrigues. O órgão argumentou que a medida seria uma prerrogativa do Poder Executivo.
Na avaliação de Couto, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi envolvido na crise por causa da percepção social sobre a polarização política. Ele afirma que pessoas vistas como aliadas de Moraes podem ser prejudicadas, ainda que não tenham relação direta com as decisões do ministro. Lula, segundo o cientista político, é percebido como o oposto do bolsonarismo.







