Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Justiça tributária coloca concentração de riqueza no centro do debate

Artigo defende que a taxação dos super-ricos seja discutida como parte da democracia, dos direitos sociais e do futuro do Estado brasileiro.

Justiça tributária coloca concentração de riqueza no centro do debate

Discutir a taxação dos super-ricos é também discutir desigualdade, financiamento de políticas públicas e o papel do Estado brasileiro. Essa foi a proposta apresentada em uma palestra realizada no Instituto Federal de Rondônia, campus Zona Norte, durante a Caravana da campanha Taxar Super-Ricos – A Justiça Tributária Começa no Topo.

O encontro ocorreu no dia 27 de agosto de 2026, em Porto Velho, e reuniu estudantes, professores e representantes de movimentos sociais. A discussão tratou do sistema tributário, da desigualdade e da responsabilidade da universidade pública na construção de uma sociedade mais justa.

Um sistema que pesa mais sobre os mais pobres

A avaliação apresentada é que o sistema tributário brasileiro é regressivo. Na prática, pessoas de menor renda comprometem uma parcela proporcionalmente maior de seus recursos com tributos, enquanto os segmentos mais ricos conseguem reduzir o peso relativo da tributação.

Os dados da pesquisa A raiz da desigualdade está no topo, da Oxfam, foram usados para dimensionar a concentração de renda. A participação do 1% mais rico na renda nacional teria aumentado de cerca de 20,5%, em 2017, para 24,4% entre 2022 e 2023. Dentro desse grupo, mais da metade da renda estaria concentrada no 0,1% mais rico. Já o 0,01% mais rico concentraria sozinho 6,3% da renda nacional.

Entre 2017 e 2023, a distribuição de lucros e dividendos teria crescido 72%, chegando a R$ 990 bilhões. No mesmo período, as rendas provenientes do trabalho e de benefícios sociais cresceram 9,3%.

A diferença levanta uma questão sobre o peso dos tributos sobre o trabalho e a menor cobrança relativa sobre rendas ligadas ao patrimônio e ao capital. A campanha defende que o debate se concentre no extremo da pirâmide econômica, sem equiparar pessoas que possuem uma casa, um carro ou uma renda de classe média àquelas que acumulam milhões ou bilhões de reais.

Raça, gênero e papel da universidade

A concentração de riqueza também foi relacionada às desigualdades raciais e de gênero. Segundo os dados apresentados, os super-ricos têm predominância de homens e pessoas brancas. Na outra ponta, as mulheres negras estão entre as mais afetadas pela precarização econômica e têm participação histórica na organização comunitária e na luta por direitos.

Nesse contexto, a justiça fiscal é apresentada como parte do enfrentamento dessas desigualdades. A discussão não se limita ao volume de dinheiro acumulado, mas também envolve quem teve acesso às oportunidades e quem permaneceu fora delas.

A universidade pública foi apontada como responsável por produzir evidências, questionar narrativas dominantes e difundir conhecimento. Ela pode investigar os efeitos de uma política tributária mais progressiva, produzir dados e aproximar esse conteúdo da sociedade.

Os movimentos sociais, por sua vez, foram apresentados como fundamentais para transformar conhecimento em organização política e pressão social. A expansão das universidades, as políticas de cotas e as conquistas trabalhistas foram citadas como mudanças resultantes de mobilização coletiva.

Escolha sobre o futuro do país

Uma tributação mais progressiva poderia ampliar os recursos disponíveis para políticas públicas, como educação, habitação, saúde, infraestrutura e serviços públicos. A proposta não é apresentada como uma disputa entre ricos e pobres nem como uma oposição a quem construiu algum patrimônio, mas como a defesa de que uma maior capacidade econômica deve vir acompanhada de maior responsabilidade tributária.

O artigo sustenta que o Brasil precisa enfrentar a concentração de riqueza e rever estruturas que permitem a reprodução do patrimônio por gerações, enquanto a maioria continua pagando uma parcela significativa da renda em impostos sobre consumo e trabalho.

A justiça fiscal, nessa visão, não dependeria apenas de uma mudança legislativa. Também exigiria conhecimento produzido nas universidades, mobilização dos movimentos sociais e disposição para questionar privilégios tratados como naturais. Taxar os super-ricos é apresentado, assim, como uma escolha sobre o projeto de país e sobre o Brasil que os impostos devem financiar.

*Geyse Anne da Silva é membro do Grupo Diálogos de Extensão e Pesquisas Interdisciplinares (UECE/UNILAB), do Observatório das Metrópoles – Fortaleza, e integra a Comissão de Articulação da Rede Dlis. É mestranda em Sociologia (UECE), graduanda em Sociologia (UNILAB), bacharela em Humanidades (UNILAB), coordenadora estadual de Mulheres do MNU Ceará e integrante da Direção Estadual da CMP Ceará. Fez parte da delegação dos movimentos sociais brasileiros que acompanhou as eleições municipais e a consulta popular da juventude no dia 27 de julho de 2025, em Caracas, na Venezuela.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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